PF utiliza ‘4 patas’ no combate ao tráfico de drogas no Aeroporto de Guarulhos

Rosana Ibanez – Diretora de Redação

No relato bíblico, o jovem Davi utilizando uma funda e uma pedra derrota o gigante Golias, inimigo dos israelitas que vinha amedrontando o povo de Deus. O GRU Airport – Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, é o único local onde a história é invertida e por lá quem derrota o inimigo e sai vitorioso é o Golias. Sem a funda e a pedra, ele conta exclusivamente com o faro devidamente treinado e, enquanto Davi conquistou a bela filha do rei como recompensa, o Golias daqui prefere muito mais um brinquedo.

Golias é um pastor holandês, com pouco mais de dois anos. Treinado, ele compõe o grupo de agentes da Polícia Federal que atua no combate ao tráfico internacional de drogas no maior aeroporto da América Latina. A Folha Metropolitana acompanhou o trabalho dos agentes, juntamente com Golias, no saguão do Terminal 3 – dedicado exclusivamente a voos internacionais.

Durante a vistoria no saguão, Golias é direcionado a farejar todas as malas. Atento, ele percorre por todo o espaço e, quando identifica algo suspeito, a agitação dá lugar a calmaria e ele indica, ficando sentado, que determinada mala precisa ser inspecionada com mais atenção. O passageiro, então, tem a bagagem averiguada. Caso sejam localizados entorpecentes, Golias é premiado com o seu brinquedo. Já o passageiro é encaminhado à presídios estaduais onde permanece à disposição da Justiça Federal, respondendo pelo crime de tráfico internacional de drogas.

Em janeiro deste ano, o volume apreendido de entorpecentes em Cumbica foi quase 500% superior ao mesmo período de 2018. Segundo a PF, foram apreendidos 48 quilos no primeiro mês do ano passado ante 283 quilos no mês passado – sendo a cocaína a droga mais apreendida.

“O Brasil é um grande exportador de cocaína e um importador de drogas sintéticas, como haxixe skunk, LSD, ecstasy e metanfetamina, que não são produzidas aqui”, explicou o delegado da PF no aeroporto, Evandro Serra.

Segundo ele, a presença dos cães é fundamental no combate ao tráfico. “Os traficantes acham que podem colocar pimenta ou esconder a droga em algo que tenha um odor mais forte, mas não tem jeito. O faro do cão é extremamente efetivo, muito mais até que qualquer equipamento de raio-X. Eles são uma ferramenta de trabalho valiosa para a Polícia Federal”, destacou Serra.

Além das malas, entorpecentes são escondidos até no estômago

Os criminosos atuam das mais variadas maneiras para tentar esconder os entorpecentes em direção ao exterior. Os traficantes têm desenvolvido técnicas cada vez mais avançadas e criativas para transportar sua mercadoria para outros países. Essa situação é vista em todo o mundo e, no Aeroporto de Cumbica, não seria diferente.

“Tem algumas coisas pitorescas. Fizemos uma apreensão certa vez em peças de bacalhau que continham cocaína dentro com destino a Portugal. Quem levaria bacalhau para Portugal? Há outras situações como apreensões de cocaína dentro de feijões, botões e até peças usinadas para máquinas”, disse Serra.

Para se ter uma ideia, na quarta-feira (12) três passageiros foram presos tentando embarcar com droga para a Suíça. Policiais federais foram acionados pelos funcionários que atuam nos procedimentos migratórios, em razão de um passageiro que possuía mandado de prisão em aberto. O homem teve seus documentos verificados e foi entrevistado, momento em que os policiais suspeitaram que ele poderia trazer algo ilícito nas bagagens.

Pressionado, o suspeito informou aos policiais que havia engolido mais de 80 cápsulas contendo cocaína. Outros dois passageiros que o acompanhavam também confessaram aos policiais que haviam engolido cápsulas contendo a mesma droga. Um deles, uma mulher de 37 anos de idade e mãe de três filhos menores de 18 anos, disse ter engolido mais de 50 cápsulas e que ainda levava outra quantidade introduzida no corpo. O outro passageiro, um homem de 22 anos de idade, confessou ter engolido mais de 70. Os três suspeitos, devido ao risco de morte, foram encaminhados a um hospital público para que pudessem expelir a droga e, cessado o risco de morte, foram encaminhados aos presídios estaduais onde permanecerão à disposição da Justiça Federal, respondendo pelo crime de tráfico internacional de drogas.

Operação

A Operação 4 Patas foi deflagrada pela Polícia Federal no início do ano e será realizada em aeroportos de vários estados brasileiros, para intensificar o combate ao tráfico de drogas e de armas, além de possibilitar o rastreamento de explosivos. Com início nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, ela ocorrerá simultaneamente em todas as regiões do país e se estenderá por todo o ano de 2020. A ação policial faz parte do planejamento operacional da PF, que foca em oferecer para a sociedade mais segurança em suas viagens. Serão empregados dezenas de cães treinados e operadores policiais federais nas atividades. Além disso, esse trabalho visa inibir ações criminosas que coloquem em risco passageiros e tripulações de aeronaves e aeroportos.

Imagem: Juliany Coelho/HSantos Fotografia

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