Coluna Livre com Hermano Henning

Valdir Carleto é um veterano jornalista de Guarulhos. Talvez o mais antigo ainda em atividade. Conversar com ele sempre rende. Rende informação e conhecimento. Olho Vivo, o jornal semanário que editou durante 27 anos, deixou saudade.

O semanário, tabloide, nasceu no parque Cecap, ainda nos primórdios do condomínio erguido ali ao lado do Base Aérea de Cumbica com o pomposo nome de Conjunto Habitacional Zézinho Magalhães Prado. Olho Vivo permaneceu pouco tempo como porta voz dos moradores do Cecap. Logo assumiu papel importante divulgando e discutindo as coisas da cidade inteira.

Olho Vivo tinha distribuição gratuita em pontos de ônibus, restaurantes, na portaria dos prédios e até em residências. Com linguagem coloquial, fácil, prendia-se sempre ao desejo de atender moradores dos bairros em suas reivindicações junto ao poder público. Uma de suas colunas falava de política e não economizava críticas. Era publicada com o título “Diz que Diz”.

Mais cuidado

O tabloide rendeu também alguns dissabores ao seu editor, sem contar os mais de trinta processos na Justiça. Carleto diz hoje que se arrepende da forma com que atuou em algumas batalhas, defendendo seu ponto de vista. Era um jornalzinho de combate, “radical mesmo”, diz ele, falando de sua criação. O entusiasmo de iniciante o levou a alguns exageros, principalmente na linguagem usada. “Hoje teria um pouco mais de cuidado”, acrescenta.

Só do prefeito Vicentino Papotto, cujo mandato veio antes da segunda administração do professor Néfi Tales, Valdir Carleto respondeu a cinco processos. “Alguns, perdi; outros, ganhei,” diz hoje, se considerando “bem mais cuidadoso”.

— Não me arrependo das coisas que escrevi, mas, hoje, talvez, usaria outra linguagem.

Mas, se o veterano homem de imprensa atualmente – hoje ele edita duas revistas, a Weekend e a RG Revista de Guarulhos – com humildade, consegue fazer esse tipo de reflexão, o mesmo não se pode dizer das figuras públicas do Município que insistem, diante das críticas mais corriqueiras, em apelar para o velho costume de processar jornalistas.

Em Guarulhos, penso, mais do que em qualquer outro lugar, tudo é motivo de processo. Vem acontecendo desde os tempos do Olho Vivo.

O objetivo de nossos políticos adeptos deste expediente parece sempre o de não ganhar as ações, mas provocar constrangimento, dor de cabeça, e fazer suas vítimas perderem tempo e gastarem dinheiro com advogados. Uma prática que merece ser abandonada.