Zeitune confirma conversa com Paulo Zhu e Marco Ferreira nos áudios

Por Rômulo Magalhães

O vice-prefeito Alexandre Zeitune (Rede) falou pela primeira vez na Comissão Especial de Inquérito (CEI) que o investiga por suposta extorsão a empresário. Ele se defendeu ontem durante a reunião realizada na Câmara Municipal. Ele confirmou as pessoas que participam das conversas vazadas em áudios que poderiam servir como provas para o incriminar.

“Sou eu, o Paulo Zhu e o Marco que trabalha com o Zhu. Não tem nada de extorsão, por isso é um crime impossível”, disse Zeitune que explicou que recebe dinheiro dele devido a serviços prestados por seu escritório de advocacia.

Além de crime impossível, a procuração apresentada pela defesa de Zeitune, alega que a comissão é ilegal, pois a gravação é clandestina e não houve publicidade como, por exemplo, na nomeação do relator Eduardo Carneiro (PSB).

“Houve grande manobra política. Não fui convocado em momento nenhum. São erros em cima de erros. Esse processo tem desvio de finalidade, problemas estruturais. Outro erro gravíssimo é que não houve primeira sessão de nomeação do relator e mesmo assim entenderam por bem continuar”, afirmou.

Defesa faz manobra para esclarecer a situação

Para a comissão, a presença de Zeitune na reunião foi surpresa. O encontro havia sido marcado para a realização da oitiva do interlocutor Marco Antonio Ferreira e para a leitura do laudo pericial das conversas em áudios. Sendo assim, a maioria dos vereadores votou pelo não depoimento do vice-prefeito por entender que a CEI poderia ser atropelada. Deste modo, ele foi convocado para depor, em reunião extraordinária, na próxima segunda-feira (16).

Apesar disso, a assessoria técnica da Câmara apresentou pareceres contrários da procuração da Rede, que pede o arquivamento do processo e, em manobra da defesa, o advogado Leonardo Freire, pediu para que o presidente da CEI, Marcelo Seminaldo (PT) lesse os argumentos e, assim, Zeitune pode argumentar em todos os seis itens apresentados, fazendo toda a sua defesa.

Convocação – Segundo Seminaldo, Ferreira já foi convocado várias vezes para depor, mas se recusou. Em votação, a CEI decidiu convocá-lo novamente para a próxima terça-feira (17). “Mas se ele não vir dessa vez, teremos que fazer da forma coercitiva”, disse.

Foto: Rômulo Magalhães