Violência contra mulher é progressiva, diz delegada da mulher de Guarulhos

Lucy Tamborino

A violência doméstica contra mulher é progressiva e muitas vezes se perpetua devido à dependência emocional é o que explica a delegada da Delegacia da Mulher (DDM) de Guarulhos, Luciana Lopes dos Anjos Granato Xavier. “Não dá pra dizer que a regra é o feminicídio, mas a violência vai progredindo. Ela começa com uma resposta ríspida, depois vai para uma injúria e depois parte para agressão. Algumas mulheres conseguem dar um basta”, pontua.

Para ela um dos primeiros passos é a mulher reconhecer a agressão, como realmente o é, já que as vítimas muitas vezes agem mais com o coração do que a razão conforme observa. “Não ele não me bateu, só puxou meu cabelo e me colocou dentro do carro”, teria dito uma vítima em uma ocorrência.

Luciana acredita que o trabalho para diminuir esse tipo de ocorrência deve funcionar não somente com a punição em si, mas com trabalho preventivo e educação nas escolas. “Temos as políticas de empoderamento feminino no Brasil, mas ele ainda é um país machista”, reflete.

A delegada destaca que em registros de violência doméstica, o machismo é comum nas relações, mas o uso de drogas e bebidas alcoólicas é frequente. “Quando eu vou despachar alguns boletins de ocorrência normalmente o autor ou estava drogado ou embriagado”, diz.

Em caso que as mulheres antes eram casadas e se separaram do homem, mesmo o agressor sendo preso, a vítima ainda precisa lidar com perseguições. “Ele já tem aquela sensação de poder, porque eles acham que eles são posses”, explica.

Outro problema frequente enfrentado por mulheres é a violência sexual. Luciana destaca que é importante o registro da ocorrência para que a polícia mapeie a região em que o crime está sendo cometido e prenda o agressor. “A vítima não está fazendo o registro só por ela, mas por outras mulheres que podem ser vítimas futuramente também”, finaliza.

Imagem: Lucy Tamborino