Venezuelanos que moram em Guarulhos ainda possuem família na Venezuela

Lucy Tamborino

Os imigrantes têm saído da Venezuela para fugir da forte crise e pretendiam, após se estabilizar, trazerem suas famílias para o Brasil, o que agora já não se sabe quando será possível já que a fronteira está fechada. Só a cidade de Guarulhos recebeu 102 venezuelanos por meio da Operação Acolhida.

Esse é o caso de Jesús Enrique Sifontes, de 43 anos, que no seu país era montador mecânico para uma empresa petroleira.  Já em Roraima, dormia na rua, porque precisava economizar para enviar dinheiro para sua família na Venezuela. “A maioria dos Venezuelanos em Roraima mora na rua, é comum ver de 300 a 500 deles dormindo em um só lugar”, conta. Na época trabalhou lavando carros, capinando, além de ocupar funções de zelador e pedreiro. Atualmente trabalha como auxiliar de produção.

O imigrante está no Brasil a mais de um ano, no abrigo da Missão Brasil Venezuela, em Guarulhos, a cerca de dois meses. Para vir para cá, deixou duas filhas e uma enteada, todas menores de idade e a ex-esposa. “Eu quero arrumar um bom aluguel”, assume.

Rafael Donato, de 34 anos, trabalha na mesma função que Sifontes e busca de uma condição de vida melhor para toda família. “Um dia de trabalho aqui é dois meses da minha esposa que é professora”, destaca explicando que no país todos ganham o mesmo salário.

De acordo com ele, além da renda que muitas vezes não dava para comprar nem comida, os cidadãos convivem com a falta de segurança. “Morava bem, era motorista, mas roubaram o meu de caminhão”, lamenta.

A filha de cinco anos e esposa de Donato, ainda estão na Venezuela. “Eu vou esperar que abra a fronteira” conta dizendo que fala com elas todos os dias e envia o máximo de dinheiro que pode com apenas uma recomendação: que o dinheiro seja gasto logo. ”Dez boliveries às vezes da para algo, no outro dia não da para comprar nada”, diz.

O problema no país ainda se estende na falta de medicamento. “Eu quero ajudar a minha mãe a cuidar da minha avó que é cega, tem hipertensão e diabetes”, conta Hector Gonzalez, de 22 anos. Ele explica que não há remédios na farmácia, os medicamentos são comprados numa espécie de “mercado negro” onde pessoas com maior influência e poder econômico revendem, com um valor bem mais alto do que o pago inicialmente, os remédios disponíveis no país.

Prazo curto

No abrigo todos eles têm apenas 90 dias para encontrar um lugar para ficar, já que o abrigo precisa acolher outros imigrantes. Para entrar em contato com representantes da Missão Brasil Venezuela o telefone é 11 94532-0981. As pessoas podem ajudar com divulgação de currículos, oportunidades de emprego e aluguel, dentre outras coisas.  

Imagens: Lucy Tamborino