Três milhões de brasileiros buscam vaga de emprego há mais de dois anos

Agência do Trabalhador no Setor Comercial Sul Agência do Trabalhador, Setor Comercial Sul, Plano Piloto, Brasília, DF, Brasil 25/10/2016 Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília.

Da Redação

Por trás da aparente melhora da taxa de desemprego no segundo trimestre (que caiu para 12,4%), está uma situação alarmante. Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o país atingiu um número recorde de 4,8 milhões de pessoas que desistiram de procurar trabalho. A taxa de desemprego caiu, em grande parte, porque milhares de pessoas que gostariam e estariam disponíveis para trabalhar pararam de buscar uma vaga por acreditar que não conseguiriam uma ocupação – os chamados desalentados.

O levantamento, divulgado na última quinta-feira (16), aponta outro recorde: 3,1 milhões de pessoas já estão há mais de dois anos à procura de emprego. “Quanto mais tempo a pessoa busca emprego maior a chance de migrar pro desalento”, diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. Em apenas um trimestre, 202 mil pessoas a mais passaram a essa condição. Em um ano, a precariedade do mercado de trabalho levou ao desalento mais 838 mil indivíduos.

“Estamos num momento de elevada incerteza, o que significa que a retomada (da economia) existe, mas fica contida, aquém do que se esperava”, diz José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Isso obviamente segura a retomada, com consequências claras sobre o emprego.”

Ao todo, faltou trabalho no Brasil para 27,6 milhões de brasileiros. Além dos inativos com potencial para voltar ao mercado, havia ainda quase 13 milhões de desempregados e outros 6,5 milhões de pessoas trabalhando menos tempo por semana do que gostariam.

 

Em SP, mais de 400 profissionais desistiram de procurar emprego

Pedro Lacerda

Em todo o Estado de São Paulo, a perspectiva de pessoas que pararam de buscar emprego por acreditar que não conseguiram uma ocupação em sua área, chegou a 467 pessoas no segundo trimestre deste ano.

Segundo dados do IBGE, o número aumentou em 67, onde o estado anotou exatas 400 pessoas desalentadas. Em toda a Região Sudeste, são 1.005 pessoas que se enquadram nesse perfil.

Imagem: Pedro Ventura/Agência Brasília