Sobre gigantes e anões – Roberto Samuel

Reconhecemos um gigante quando ele se curva para ouvir ou cumprimentar alguém de menor porte. São seres raros e possuidores de um coração proporcional ao seu tamanho. Sem se dar conta, eles melhoram o caminho por onde passam, alimentam esperanças, sorriem, plantam sonhos, distribuem braço e abraços ajudando na colheita da vida. Apesar de sua grandeza, passa despercebido por entre o povo. Eles são raros nos dias atuais, se alimentam da gratidão recebida e não carregam o peso de culpa, de mágoas, nem a tristeza de ver seus amigos vencendo a subida. Os anões morais são mais estridentes, fazem de tudo para aparecer, mesmo que isso prejudique a vida de seu semelhante, sem perceber isso os diminui dia a dia até ficarem rente ao chão.

O agradecer, a gratidão são atos restritos a poucos, geralmente a gigantes. Às vezes percebo que não agradeci um favor, um bom dia, um ato de bondade. Ah! Vida acelerada nos impede de sermos mais humanos, de percebê-la se esvaindo pelas horas do dia enquanto enfrentamos uma fila para jogar na loteria nosso pouco tempo de vida.

Somos a soma de átomos e células, mas também de ações, omissões, renúncias. O que faz a beleza de uma vila ser maior ou menor não é a natureza, nem o relevo à sua volta, nem as grandes construções. O esplendor do lugar será idêntico à natureza das pessoas. Essa métrica pode ser utilizada à sua rua, à sua vida, à um lugarejo. A cidade é o conjunto, a soma dos atos e da aura de cada cidadão. Um povo amargurado tornará seu lugar sem cor, sem vida, sem vibração. Experimente! Quando você sorri, seu corpo reage para melhor. Quando uma inverdade é dita, o corpo reage negativamente.

Você já cultivou uma árvore por tempos e depois descobriu que ela deu outro fruto? Vez por outra isso acontece com pessoas. Na primeira colheita, descobrimos o que plantamos:  amizades desleais geralmente se mostram amargas, tipo fruta que amarra a boca.  As amizades mais doces e leais demoram para amadurecer.

Existem dois métodos para chegar ao topo da montanha em primeiro lugar: se esforçar ao máximo e vencer seus concorrentes, ou tentar atrasar quem está à sua frente. A tática de atacar os adversários mais eficientes é própria dos preguiçosos, incompetentes, desleais; pessoas que no fundo não confiam em seu potencial. Assim, acreditam que a sua única saída, a única chance seria destruir os outros competidores. Mas vencer dessa forma, é o mesmo que seguir a vida destruindo as pontes, apagando rastros, fechando as portas e trilhas pelas quais passou. Caso precise refazer a estrada, o recomeço será amargo, pois quem te ajudou um dia já evoluiu e não retrocedeu.

Temos o espírito interligado uns aos outros, tipo a internet. Ao levantar calúnias, criar mentiras sobre quem você não gosta, a sua aura diminui e a cidade fica menos bonita. Ser do bem é a regra. O mal, embora pareça bem humano, não é de nossa natureza. Não aceite mentiras, nem meias verdades. Acredite a Terra não é plana. As fofocas dos tempos de nossa vó hoje são conhecidas como Fake News. Essas ações não ajudam a melhorar a vida de ninguém. Quem vive distribuindo taças de veneno, um dia se engana e bebe da própria peçonha.