Sesc Avenida Paulista recebe programação de dança com estreia de espetáculo japonês e produções em parceria com Portugal e Uruguai

Da Redação

Produções binacionais do diretor Gustavo Ciríaco se apresentam pela primeira vez na capital e companhia japonesa estreia no Brasil espetáculo sobre obra de Tatsumi Hijikata

O Sesc Avenida Paulista, a mais nova unidade do Sesc no estado, recebe entre os dias 9 e 19 de agosto uma forte programação de dança. Pautada por produções estrangeiras, a agenda conta com parcerias entre Brasil, Portugal e Uruguai, além de um espetáculo japonês. O espetáculo Gentileza de um Gigante, que tem elenco lusitano, e Viagem a uma Planície Enrugada, com artistas uruguaios, são dirigidos pelo brasileiro, residente em Lisboa, Gustavo Ciríaco.  Ambas as produções participaram da Bienal Sesc de Dança (2017), e se apresentam pela primeira vez em São Paulo nos dias 9 e 16, respectivamente. Já a produção A Dançarina Doente, que revê a obra de Tatsumi Hijikata com todo o elenco japonês, faz sua estreia no Brasil no dia 14, terça-feira, com ingressos por até R$20.

GENTILEZA DE UM GIGANTE

Crédito: Vera Marmelo

Entre os dias 9 e 12 de agosto, de quinta a domingo, os dançarinos portugueses Ana Trincão e Tiago Barbosa apresentam o espetáculo dirigido e coreografado pelo brasileiro Gustavo Ciríaco. Num palco escuro, um homem e uma mulher constroem paisagens em miniatura em cima de uma mesa de arquiteto. Não há música, eles não se falam, a mesa é instável e a dinâmica concentra-se na (des)construção gradual de maquetes com vales, montanhas, árvores e rios.

Os corpos movem-se e são ao mesmo tempo movidos pela sua própria manipulação que desloca e transforma a sua composição enquanto paisagem. Ora se espelham no que constroem, ora se vêem como donos provisórios de um território. Eles manipulam materiais como areia, água, terra e papel, que dão origem a paisagem que se ergue e se dissolve minimalistamente, num panorama vulnerável aos perigos do percurso e do acidente. Simpático à noção de paisagem como um processo, uma atividade, um verbo, uma produção humana, o projeto aposta em redescobrir o sutil poder que a paisagem provoca, seja em quem a contempla, seja em quem vive imerso nela.

A DANÇARINA DOENTE

Crédito: Masafumi Kimura

Os dançarinos Tomomi Tanabe e Takao Kawaguchi realizam no Sesc Avenida Paulista a estreia nacional do espetáculo A Dançarina Doente, no dia 14 de agosto, em curtíssima temporada. Os japoneses dissecam os textos de Yameru Maihime (Dançarina Doente), livro de Tatsumi Hijikata, considerado um dos pilares do butô.

No espetáculo os dois exploradores, utilizando a palavra “tatami” como sua bússola, e viajam por entre as “lições da princesa doente e fraca”, levando o espectador às “trevas do outro lado que ninguém conhece, um começo ou uma ressurreição”.

Tanabe, dançarina de butô, participou das sessões de treinamento de Hijikata na década de 1980, e ouviu do coreógrafo e performer a seguinte frase: “Mantenha esse medo na gaiola dentro de você e cuide muito bem dele”. Influenciada pelos ensinamentos do performer e coreógrafo japonês, a dançarina de butô convidou, décadas mais tarde, o artista Takao Kawaguchi para se juntar a ela no projeto de explorar a obra de Hijikata.

VIAGEM A UMA PLANÍCIE ENRUGADA

Crédito: Nacho Correa

O segundo capítulo da trilogia do coreógrafo e dançarino Gustavo Ciríaco explora os impactos das ações antrópicas sobre o meio ambiente. Depois de apresentações na Bienal Sesc de Dança 2017 (Campinas), o espetáculo estreia na capital no dia 16 de agosto, com sessões até o dia 19, quinta a domingo. Em colaboração com os uruguaios Santiago Tricot (designer de luz) e Juan Pablo Campistrous (artista visual), e a performer Natalia Viroga, com quem divide o palco, Gustavo convida a um tipo de mundo recriado aos nossos pés. Dispostos em praticáveis, os espectadores testemunham a gradual construção de catástrofes sobre o chão, vislumbrando os efeitos prejudiciais das atividades humanas sobre o ambiente.

No espetáculo inspirado no livro “Primavera Silenciosa”, da bióloga e escritora estadunidense Rachel Carson, um homem e uma mulher constroem e descontroem paisagens em miniaturas relembrando desastres ambientais. O livro, lançado em 1962, é resultado de uma pesquisa de Carson sobre os efeitos mortais que o uso indiscriminado de pesticidas tinha causado em um santuário de pássaros.

Imagem: Divulgação