Proteção à mulher, uma questão de atitude

Coronel Alvaro B. Camilo

Dia 8 de março, Dia da Mulher. Uma data para relembrar o carinho, o zelo e a compreensão de quem gera uma nova vida, que se sensibiliza, que se preocupa com os detalhes, que cuida de todos e que, por muitas vezes, é a chefe da família, que trabalha diuturnamente e que protege quem mais precisa. Sim, é uma data para comemorar essas e muitas outras qualidades das mulheres.

Seria muito bom se pudéssemos citar só as qualidades das mulheres em alusão à data. Porém, infelizmente, existe um outro lado, muito triste, que temos que nos preocupar: a violência contra elas. Dados mostram que, a cada 4 minutos uma mulher é agredida no Brasil e a cada 8 horas, uma perde a vida por causa dessa agressão (Rede Brasil, 2019).

Com a pandemia, que começou há um ano, a polícia de São Paulo elaborou um grande plano de contingência para uma crise econômica-social e de saúde que se aproximava, pois se temia forte reflexo na criminalidade, normalmente agravada nessas ocasiões. O policiamento ostensivo foi redirecionado e as delegacias reforçadas. Algumas modalidades de policiamento deixaram de ser feitas (ronda escolar, policiamento em praças desportivas, escoltas de presos) e mais policiais foram para as ruas.

O movimento nas cidades, bares, restaurantes, praças reduziu e, com ele, também o crime de oportunidade, como furto e roubo. O resultado foi visível: todos os indicadores criminais tiveram queda em 2020, conforme números da Secretaria da Segurança Pública.  Contudo, dois indicadores aumentaram: os crimes virtuais, aqueles golpes pela internet, e-mail e redes sociais e a violência doméstica, atingindo principalmente a mulher, muitas vezes confinada com o agressor.

Esse é o ponto que quero destacar e chamar a atenção de todos para o que nós, todos nós, podemos mudar. Precisamos observar melhor, orientar nossos filhos, famílias e não ser indiferente ao tomar conhecimento de qualquer mulher que esteja sofrendo com a violência, seja física, psicológica ou qualquer outra, denunciar, seja pelo sistema de emergência 190 (se for emergência), seja pelo 181 do Disque-Denúncia ou na Central de Acolhimento à Mulher 180.

A polícia paulista, preocupada com a segurança na pandemia, tomou várias ações  para proteger as pessoas, dentre elas a adoção do Boletim Eletrônico, que pode ser usado para registro de quase todo tipo de ocorrência. Para a para a mulher, uma inovação é a Delegacia de Defesa da Mulher Eletrônica, a chamada DDM Online, onde a mulher pode fazer o Boletim pela internet, pelo celular e vai ser atendida por uma equipe de delegadas mulheres que lhe darão toda a orientação e seguimento na investigação, se for o caso.

Além disso, as mulheres que já foram vítimas e têm medidas protetivas judiciais, podem baixar o aplicativo SOS Mulher e se cadastrar na Polícia Militar. Esse aplicativo permite o acionamento rápido da polícia numa situação de perigo. Hoje, há cerca de 26 mil mulheres cadastradas, 1.300 acionamentos e 91 agressores foram presos.

Amigos, muito já se avançou nessa questão, criamos leis, a Lei Maria da Penha é um exemplo,  mas olhando os noticiários, notamos que temos muito ainda a avançar na proteção da mulher, é uma questão de conscientização de todos, é uma questão de atitude.