Por que o empreendedorismo feminino está com tudo?

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Juliana Del Rosso

Cientista social, bacharel em artes cênicas e redatora freelancer, tem um portfólio igualmente diversificado. Atualmente, produz conteúdo multiplataforma, roteiriza, dirige e atua em uma websérie e escreve para blogs.

Escolher a melhor maquininha de cartão, decidir a próxima estratégia de vendas, optar por um rumo de ação, dar a última palavra: o empreendedorismo feminino é composto por uma série de atitudes e, felizmente, tem sido cada vez mais discutido.

Nos últimos anos, as mulheres têm buscado novas formas de se inserir no mercado. Isso aconteceu não apenas pela necessidade de aumentar a renda familiar, mas pelo desejo de independência e protagonismo.

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre o empreendedorismo feminino, explicando as formas através das quais ele se manifesta, seu impacto na vida coletiva e os meios pelos quais modifica estruturas sociais profundas. Confira.

Empreendedorismo feminino: o que é, exatamente?

Chamamos de empreendedorismo feminino qualquer ação de caráter empreendedor que é realizada por uma ou mais mulheres.

Nesse caso, entenda, não estamos nos referindo apenas a grandes empresas ou projetos de porte suntuoso: especialmente no caso das mulheres, que ainda estão conquistando o seu espaço no mercado de trabalho, o empreendedorismo pode se manifestar de formas distintas.

Vamos por partes. Em outro momento, talvez mulheres que trabalham com artesanato e tiram dele o seu sustento não seriam vistas como empreendedoras. Atualmente, no entanto, elas fazem parte deste grupo.

Damos ênfase ao termo “empreendedorismo feminino” porque ele engloba percepções distintas sobre trabalho, ganhos e chefia: os moldes de outrora não cabem mais nas relações de trabalho.

Além disso, reconhecer as razões e a história que levaram as mulheres a buscar meios de sustento é importante e impacta positivamente a nossa sociedade.

No quinto país com o maior índice de casos de feminicídio do mundo, onde há pouco mais de cinquenta anos era necessário solicitar a autorização do esposo para trabalhar, oferecer a mulher a possibilidade de ser dona da própria vida e do próprio negócio é um grande avanço.

Quais são os desafios das mulheres empreendedoras?

De acordo com informações disponibilizadas pelo portal oficial do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a proporção de mulheres empreendedoras que são chefes de domicílio, ou seja, que fornecem à família a maior parte da renda, passou de 38% a 45%.

Temos atualmente 9,3 milhões de mulheres liderando empresas, ou seja, 34% dos donos de negócios do Brasil.

Pode parecer um número modesto, mas é uma mudança de paradigma significativa, especialmente no que tange a qualidade de vida e o reconhecimento profissional das mulheres.

Nem tudo está como deveria ser, no entanto: atualmente, as mulheres empreendedoras têm nível de escolaridade 16% superior ao dos homens, mas ganham cerca de 20% a menos do que os empresários.

Da mesma forma, o acesso a crédito e linhas de financiamento, ainda segundo material divulgado pelo SEBRAE, também são um empecilho: mulheres de negócios, em geral, conseguem valores de empréstimos menores do que a média liberada aos homens. E, às vezes, pagam juros maiores.

Isso não é tudo, claro.

Entenda o que é sexismo

Embora diversas noções atreladas à mulher estejam se modificando, alguns espaços majoritariamente masculinos ainda se sentem receosos de abrir as portas para essas profissionais.

A falta de autoconfiança de algumas empresárias, resultado de um longo tempo de preterimento no meio profissional, também pode entrar no caminho do sucesso.

Por que isso acontece? O sexismo pode ser a resposta.

Chamamos de sexismo a discriminação feita com base em estereótipos de gênero.

Um estudo do SEBRAE, feito em parceria com a Endeavor Brasil, levantou dados interessantes: nos Estados Unidos, as mulheres são mais contratadas por empresas que não pediam fotos nos currículos ou que não tinham certeza sobre o gênero do indivíduo que desejam contratar.

A mulher também não é vista, em geral, como capacitada para fazer parte do mundo business: uma vez que normalmente são desconsideradas para empregos na área de negócios, dificilmente têm a chance de exercitar os seus conhecimentos e desenvolver habilidades importantes.

O resultado, claro, é a baixa porcentagem de mulheres em funções relacionadas e a perpetuação do estereótipo de que elas “não cabem” nessas profissões.

Nos setores de tecnologia e informática, dois dos mais promissores, a presença feminina também é tímida. Vale, portanto, incentivar crianças e jovens a estudar programação, computação, mecânica.

Apoiar e valorizar o empreendedorismo feminino, como vemos, auxilia no combate à discriminação e na dissolução de equívocos acerca da capacidade de liderança e produtividade das mulheres.

Quanto mais se discute o impacto das empreendedoras na saúde familiar, no desenvolvimento do país e na própria realidade da mulher, maiores são as chances de conquistar a desejada igualdade – de direitos, de educação, de salários.

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