Peregrinação: a fé motivadora dos romeiros para Aparecida

Lucy Tamborino e Mayara Nascimento

“Perdi prova na faculdade hoje, faltei no trabalho e é tudo por uma boa causa, para agradecer o sucesso das promessas atendidas”, contou Júlio Cesar de Andrade, de 19 anos, que está indo para a cidade de Aparecida para agradecer pela saúde da mãe. É a primeira romaria que ele participa, e contou que está ansioso pelo desafio de 160 km. O morador da Ponte Grande faz parte de um grupo de 15 pessoas, entre amigos e familiares, que saíram às 5h de ontem.

Diones Gomes, 30, morador do Parque Continental, realiza sua segunda caminhada de fé. “Nós pedimos muito e nos esquecemos do mais fácil, agradecer por tudo que temos. O meu propósito é gratidão”, contou carregando uma cruz de 2,80 metros e cinco quilos, com assinaturas e pedidos dos amigos da igreja e de amizades feitas na estrada.

O grupo Peregrinos da Fé conta com a equipe de apoio Anjos da Estrada para se alimentar, e até sábado (12), irão dormir em postos de gasolina que encontrarem no percurso. “Se der para tomar banho no posto, nós tomaremos. Se não der, tudo bem, o importante é chegar lá”, afirmou Gomes sem perder a alegria em pensar nas surpresas do caminho até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Grupos organizados

Há também quem prefira organizar locais de parada e até montar uma caravana de apoio para outras pessoas. Este é o caso do sócio de uma fábrica de bordado, Francisco Josinaldo da Silva, de 34 anos. Residente no Ipiranga, em São Paulo, ele está em sua sétima edição de romaria, que iniciou pela cura do pai que estava com um câncer e desenganado pelos médicos.  “Em 2013 quando eu vim pela primeira vez eu sofri bastante e por conta disso eu conheci alguns amigos fazendo apoio, igual estou fazendo agora. Dessa experiência, eu montei a romaria Caminhada pela Fé. Nós pretendemos seguir em diante para ajudar as pessoas a não sofrer como sofremos”, contou. 

Para ele a experiência é única. “Você volta outra pessoa e renovado na fé. É um momento de refletir o que você fez de bom e pode fazer de melhor. A gente reza e cada um tem sua oração pessoal. Tem momento que você quer estar sozinho, outro você quer estar em grupo. Hora que você chora de dor, emoção ou saudade dos seus filhos e dos seus pais, porque você fica cinco dias sem vê-los. É algo emocionante”, refletiu.

Silva e outras 67 pessoas saíram ontem às 5h do km 230 da rodovia Presidente Dutra, em Guarulhos, com previsão de chegada em Aparecida no sábado (12). Até lá eles devem parar para dormir em quatro hotéis já reservados, em Arujá, Jacareí, Taubaté e Roseira. Lá devem tomar banho, além de café da manhã e janta que já estão inclusos no custo de R$ 590 pela empreitada. Um carro de apoio também deve parar em alguns postos com alimentos e água para os romeiros, todos eles, não só os que compõem a caravana.

Neste grupo está também um casal de aposentados que moram em Pirituba, em São Paulo: José Aparecido Trevisan, de 60 anos, e Maria Delmiro Gales e Silva, de 63. Esta já é a quarta vez que participam. “Eu não venho por promessa, mas venho por oração ao nosso país e nossos jovens, pela família que está se destruindo e pela fé em Nossa Senhora e em Jesus”, afirmou Maria.

Imagens: Mayara Nascimento