Núcleo de Condicionamento e Recondicionamento Físico atende 1,5 mil pessoas em seu 1º ano

Núcleo de Condicionamento e Recondicionamento Físico de Guarulhos atende 150 pessoas em seu 1º ano O 1° Núcleo de Condicionamento e Recondicionamento Físico da Prefeitura de Guarulhos completou um ano de existência nesta quinta-feira (26) com 150 atendimentos realizados. O equipamento, instalado na academia do Centro de Testagem e Aconselhamento “Ubiratan Marcelino dos Santos” (Gopoúva), é destinado à promoção de atividades e práticas corporais com foco no fortalecimento das capacidades físicas e na recuperação do usuário.
Até a inauguração do núcleo o município não dispunha de um fluxo adequado para pós-reabilitação fisioterápica e as equipes técnicas constataram que muitos casos poderiam ser resolvidos com um programa de exercícios físicos globais.
Os números desse primeiro ano mostram que cerca de 80% dos pacientes eram sedentários. “Queríamos um lugar onde pudéssemos recondicionar os pacientes com o intuito de potencializar a qualidade de vida e melhorar os quadros de dor, tendo em vista a plena evolução. Todos aqueles que fizeram o tratamento de forma assídua tiveram melhora nos seus quadros de saúde”, comentou a educadora física do núcleo, Luciana Miranda.
O período de recondicionamento é de, no mínimo, 12 semanas, com possibilidade de ampliação de acordo com a necessidade de cada um. “Fizemos um protocolo de atendimento no qual o indivíduo é analisado em toda sua estrutura física, de forma detalhada, entendendo também os serviços pelos quais ele passou, de que questões ele trata, elencando uma avaliação medicamentosa e, inclusive, psicológica. Muitas pessoas chegam com dor e totalmente desmotivadas a fazer o tratamento, então é preciso checar cada situação com atenção”, salientou a educadora.
O núcleo atende pessoas com patologias variadas e, durante a pandemia, algumas queixas sobre sequelas deixadas pela covid-19 foram registradas. “Tivemos muitos casos de pessoas que pegaram covid e necessitavam de recondicionamento, além de termos lidado com o medo do retorno a um serviço de saúde. Identificamos piora nos quadros de lesões e as alterações osteomusculares cresceram ainda mais. Isso acarretou perdas funcionais e novas demandas nos tratamentos”, explicou Luciana.De acordo com ela, existem poucos serviços de saúde pública nesse modelo no Brasil. “O fato de contarmos com um espaço como esse em Guarulhos é um grande avanço, pois evita o surgimento e agravos de diversas patologias. O trabalho está só começando”, completou.
Para o educador físico André Bartolomeu Carneiro, a iniciativa fomenta não somente a melhora articuladora de movimentos e da força, mas também a independência, a autonomia, a relação social e a autoestima. “É uma experiência desafiadora porque existe uma série de diferenças entre os padrões de movimentos em pacientes com próteses, por exemplo, e ao mesmo tempo muito gratificante. Estamos sempre em constante aprendizado. Temos pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) e, às vezes, saem das atividades e esquecem suas muletas. Algumas mudanças que podemos julgar como pequenas são enormes para eles”, ressaltou Carneiro.
Depoimentos
Em 2018 a paciente Marcia Costa Meira sofreu um atropelamento que acarretou uma amputação traumática. Atualmente ela passa pelo processo de reabilitação e adaptação à prótese.
“Faço acompanhamento no núcleo há cerca de dois meses e tenho tido uma resposta extremamente significativa. Já me sinto 100% melhor. Os equipamentos do espaço são ótimos e os profissionais, excelentes. Desde que cheguei o tratamento tem sido maravilhoso”, afirmou Marcia.
Segundo a educadora física Luciana, essa é uma paciente que teve uma evolução muito rápida. “A Marcia conseguiu passar por todos esses processos de uma forma totalmente exitosa, apesar de todos os problemas. Chegou usando bengala e em menos de um mês já não usava mais. A ideia é que em breve ela volte à rotina de vida normal, com as adaptações sendo construídas de acordo com seus hábitos do cotidiano”, disse.
Já o paciente Carlos Rogério Saturnino sofria com uma lesão recorrente de ombro e com dores na região lombar e hoje está estável. “Ele é extremamente forte e demonstra boa adaptação. Não precisa de medicação e quando há alguma queixa de dor nós fazemos apenas pequenas adaptações no treino e, na semana seguinte, ele já obtém progresso. O Carlos é um paciente muito querido e tem uma relação de amizade excepcional aqui no espaço. Incentiva muito os outros pacientes a não faltarem e também os motiva na execução dos exercícios”, contou Luciana.
Na pandemia, Carlos deixou de praticar atividades físicas e isso impactou no seu bem-estar. “Fiquei parado durante quase dois anos e a gente percebe que o corpo sente muito essa pausa. Voltam as dores e os problemas, mas a musculação ajuda demais no desenvolvimento e na manutenção da saúde. Foi um recomeço muito bom. Após cinco meses já vi resultado, tanto na saúde, quanto na disposição e também no convívio. Foi e é muito satisfatório, eu aprovo o serviço”, salientou.
Serviço
Para acessar o Núcleo de Condicionamento e Recondicionamento Físico o primeiro passo é procurar a UBS mais próxima e passar por avaliação médica e/ou da equipe multiprofissional. A partir da avaliação feita o paciente poderá ser referenciado para a unidade, conforme protocolos.

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