No Dia Mundial da Religião, precisamos educar para a paz

Luís Fernando Lopes*

*filósofo, teólogo e professor de Área de Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter.

Em tempos de consumismo desenfreado, intolerância, preconceitos, desrespeito e agressões, hipocrisia e “customização da fé”, a celebração do Dia Mundial da Religião é uma oportunidade de reflexão. A data comemorativa foi proposta pela primeira vez pela Assembleia Espiritual Nacional da fé bahá’í, uma religião fundada por Bahá’u’lláh (1817-1892), na região da Pérsia.

Esse encontro, realizado pelos bahá’í dos Estados Unidos da América (EUA) em 1949, deliberou que o terceiro domingo do mês de janeiro seria dedicado a celebrar a harmonia entre os princípios espirituais das religiões do mundo. Como a data é móvel, no Brasil pode coincidir com o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, no dia 21 de janeiro.

Comemorado inicialmente em algumas cidades e estados americanos, o Dia Mundial da Religião se estendeu para outros países ao longo dos anos. Contudo, a proposta dos bahá’í não é isenta de críticas, pois tem como base um universalismo religioso. Seu objetivo é promover a paz e a harmonia entre as religiões ao considerar seus elementos comuns, suas regras de ouro, visando a superação de todo tipo de preconceito e intolerância. Assim, a humanidade poderia trilhar os caminhos da paz.

As ideias que cunharam essa data comemorativa vão ao encontro da necessidade contemporânea de promover uma educação para a paz. Entre os desafios de nossa sociedade, está superar a miséria e a fome, diminuir as desigualdades, cuidar do planeta, superar preconceitos e respeitar a diversidade. Em suma, valorizar e promover o ser humano e a humanidade.

O enfrentamento desses desafios demanda conscientização e a promoção de uma educação que cuide do ser humano considerando todas as suas dimensões. Diante do individualismo e da egolatria que marcam o cenário contemporâneo, promover uma educação para paz de valorização e respeito pelo outro, independente de sua religião e outras singularidades, tornam-se ações imprescindíveis.