Mulher feita de refém após assalto a Viracopos está na UTI

SP - ASSALTO-AEROPORTO-VIRACOPOS-CAMPINAS-TIROTEIO - GERAL - Criminosos fazem um assalto a uma transportadora de valores no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas (SP), nesta quinta-feira (17). Durante troca de tiros dois seguranças foram baleados. Ambos os sentidos da Rodovia Santos Dumont (SP 75), em Campinas (SP), interior de São Paulo, foram fechados por caminhões colocados pelos bandidos. 17/10/2019 - Foto: WAGNER SOUZA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Da Redação

A mulher tomada como refém por um assaltante após o ataque ao terminal de cargas do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). De acordo com a Polícia Militar (PM), a refém teria sido atingida na região lombar por estilhaços do tiro disparado pelo sniper (atirador de elite) que atingiu e matou o criminoso.

A vítima passou por uma cirurgia ontem. Segundo a PM, o quadro da refém é estável. A assessoria do hospital informou que a família não autorizou divulgar informações sobre o estado de saúde da vítima. A criança de 10 meses que estava no colo da mulher não sofreu ferimentos.

A quadrilha que invadiu o aeroporto de Viracopos para roubar um carregamento de dinheiro que seria levado de avião para a Inglaterra tinha um arsenal com armas de guerra. Conforme lista divulgada hoje pela Polícia Federal (PF), foram apreendidas nove armas, entre elas fuzis de alta letalidade, e farta munição com os criminosos.

A PF acredita que cerca de 20 homens participaram da ação, três foram mortos em confronto com policiais militares. Houve ainda cinco feridos, três seguranças, um policial e uma refém. Parte das armas e munições estava no fundo falso de um caminhão de lixo, usado na fuga pelos bandidos.

Conforme a lista, foram apreendidos dois fuzis AK 47, um fuzil calibre 5.56, um rifle artesanal calibre .50 com mira telescópica – arma capaz de derrubar um helicóptero -, três pistolas Glock calibre .40, dois revólveres, 13 carregadores, 16 estojos de munição, 423 munições diversas e um capacete balístico.

A investigação não descarta que os criminosos que fugiram estivessem com outras armas. As buscas pelos suspeitos continuavam nesta sexta, mas a PF informou que o inquérito sobre o assalto está em sigilo.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai pedir informações à concessionária do Aeroporto de Viracopos sobre o assalto. De acordo com a agência, “sempre que ocorrem ações de interferência ilícita, é dever da Anac solicitar informações ao operador do aeroporto, visando verificar se todas as normas relacionadas à Segurança da Aviação Civil Contra Atos de Interferência Ilícita (Avsec) foram adotadas”. Ainda segundo a agência, esse procedimento é protocolar e gera um relatório que se torna objeto de análise pela agência para verificação de “eventuais medidas que não estejam em conformidade”. Não há prazo para o término da análise.

A concessionária informou que Viracopos cumpre com todos os requisitos de segurança previstos no setor e o acionamento de todos os procedimentos ocorreu imediatamente à invasão dos dois veículos com os criminosos por um dos portões de segurança. Segundo a nota, todos os procedimentos de segurança foram aprovados pela Anac conforme o Programa de Segurança Aeroportuária apresentado pela concessionária. Informou ainda realizar simulações e exercícios anuais em parceria com as forças policiais.

Conforme a empresa, a Polícia Federal aprovou recentemente, por solicitação da concessionária e da Brink’s, o uso de armamento ostensivo na área do terminal de cargas, ainda que muito inferior ao usado pelos criminosos, o que contribuiu na reação ao crime. “Preocupa o posicionamento de alguns setores que, em vez de abordar a grave questão da segurança pública e do combate ao crime organizado, fez parecer que as empresas que sofreram ação criminosa são responsáveis por supostas falhas de segurança “

No dia do assalto, quando esteve em Campinas para parabenizar a PM pelas ações contra os assaltantes, o governador João Doria (PSDB) cobrou mais segurança e ações preventivas nos aeroportos federais, como o de Viracopos.

“Qual empresa consegue enfrentar quadrilhas de posse de armamentos pesados de guerra? Vale lembrar que, no período de um ano e meio, as áreas restritas dos três maiores aeroportos do Brasil (Galeão, Guarulhos e Viracopos) foram invadidas por criminosos fortemente armados, evidenciando que este é um problema nacional de segurança pública”, reagiu a concessionária

Imagem: Wagner Souza/Estadão