IPT elabora estudo sobre o uso de águas subterrâneas em Guarulhos

Da Redação

Vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) realizou uma série de estudos sobre as águas subterrâneas da bacia do rio Baquirivu-Guaçu. O trecho analisado envolve os municípios de Guarulhos e de Arujá.

O projeto foi financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e teve como tomador a Fundação Agência da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê (Fabhat), com conclusão em dezembro de 2017.

O objetivo da pesquisa foi fornecer parâmetros para auxiliar na gestão dos recursos hídricos da região, com destaque para as instalações do Aeroporto de Cumbica. Conduzido pelo Laboratório de Recursos Hídricos e Avaliação Geoambiental do IPT, o levantamento indicou potencial positivo de exploração das águas em áreas da bacia.

De acordo com a equipe do IPT, não foi encontrada nenhuma contaminação de extensão expressiva. “Selecionamos uma quantidade de poços tubulares, também conhecidos como semiartesianos, e fizemos visitas no local para saber o quanto era retirado dos poços e o quanto esses espaços podem fornecer, de modo a se calcular o que se denomina, em Hidrologia, de balanço hídrico”, explica a pesquisadora Nádia Franqueiro Correa, também participante do levantamento.

“A nossa surpresa, ao contrário do que se esperava, é que na maior parte da área existe uma extração proporcionalmente muito pequena, ou seja, há uma disponibilidade grande de água subterrânea para ser aproveitada nessa bacia. Em vez de se indicar no estudo a questão da restrição, foram colocadas orientações para a gestão”, afirma o pesquisador José Luiz Albuquerque Filho.

Distribuição
A produção de água potável do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Guarulhos corresponde a cerca de 13% do consumo de toda a cidade. O volume restante tem como origem o sistema da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), de acordo com dados da prefeitura municipal.

Os sistemas produtores próprios, operados pelo Saae, utilizam captações superficiais e subterrâneas por meio das estações de tratamento de água, além de 28 poços artesianos espalhados na cidade. A população abastecida chega a 1,32 milhões de habitantes. Vale destacar que, dos 87% do Sistema Adutor Metropolitano que são fornecidos pela Sabesp, 74% vêm do Sistema Cantareira e 26% do Alto Tietê.

Mesmo com um cenário de acréscimo significativo no número de poços, não se verificou um impacto elevado em relação à disponibilidade de água do subsolo. “Ou seja, em linhas gerais, tanto em relação à quantidade quanto à qualidade, não é uma situação preocupante. Saímos da possibilidade de restrição para olhar para a disponibilidade”, ressalta José Luiz Albuquerque Filho. De acordo com o integrante do IPT, o aproveitamento dos aquíferos não seria suficiente para resolver a demanda total das cidades.

Foto: Sidnei Barros