Hermano Henning

Gostei do que vi na estreia da CNN Brasil, o canal pago de notícias que entrou no ar domingo. Foi um show que eu sempre quis ver na TV brasileira. Estava curioso pra conferir o que o canal iria apresentar no primeiro dia de transmissões focadas nas notícias. Sempre achei que, em comparação com os Estados Unidos, estamos, pelo menos, com vinte anos de atraso. A CNN nos aproxima.

Alguém poderá dizer que tudo não passa de uma cópia do que o canal nascido em Atlanta, na Georgia, sempre nos apresentou. Mas considero que, mesmo pra copiar, é preciso ter competência. E há de se copiar o que vale a pena.

Outra coisa: é preciso ter bala na agulha. E o que se viu até agora é que a CNN tem isso de sobra. Não só vi programas de qualidade, mas também comerciais de qualidade, deixando claro que a nova empresa entra com uma belíssima retaguarda. Quem é do ramo se liga nisso. Os comerciais mostram até onde o mercado confia.

Sempre haverá críticas. Já vi algumas nos sites de notícias de ontem. Uma colunista do UOL afirmou que “faltou jornalismo”, fazendo uma comparação com a Globo News. Pura dor-de-cotovelo.

A CNN nasceu grande. Só é preciso, a partir de agora, que o vigor demonstrado na programação de estreia permaneça.

Eu me lembrei no domingo do lançamento da primeira revista de informações no Brasil. Estávamos então no longínquo 1968. 11 de setembro. A Editora Abril, gigantesco grupo editorial nascido na Argentina, anunciara com estardalhaço a “Veja”, inspirada nas americanas “Time” e “Newsweek”.

O novo veículo viria, segundo se comentava, dividir a história da imprensa no Brasil no “antes e depois”. Contratou-se Mino Carta, conhecido como o “midas da imprensa brasileira” para dirigir o semanário. A campanha de lançamento tinha sido tão intensa que foram vendidos 650 mil exemplares na estreia. Número extraordinário para a época. A edição falava da então União Soviética com a arte de uma foice e um martelo na capa sobre um fundo vermelho. Isso em plena ditadura militar. Vendeu-se tudo.

Só que o conteúdo não foi o esperado. O público, acostumado com a Manchete e Cruzeiro, revistas de muitas fotos, não gostou. A prometida bomba não passou de um traque. Veio o encalhe. Do segundo número em diante a venda da revista despencou. De cada dez pessoas que compraram na estreia, nove não o fizeram na semana seguinte.

Pode acontecer o mesmo com a CNN aqui no Brasil? A rede sustentará a programação de estreia?

Pode ser até que não, mas, vou repetir: aquele pessoal tem bala na agulha.

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