Guarulhos registra 131 casos de Aids neste ano

Lucy Tamborino

Neste domingo (01) foi celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Em Guarulhos, 131 casos foram notificados neste ano. Em 2018, a Secretaria da Saúde contabilizou 221 ocorrências. Em relação aos 10 meses deste ano, houve uma redução já que de 193 casos, foram registrados 127 em 2019.

Um desafio enfrentado pelo Ministério da Saúde, em conjunto com os munícipios é a erradicação da transmissão vertical do HIV, ou seja, quando o vírus é transmitido da mãe para o filho. A saída para isso depende principalmente de um fator. “Basicamente, como a gente tem hoje acesso aos medicamentos e facilidade de fazer diagnóstico, a grande dificuldade é identificar essas mulheres e colocar num pré-natal adequado. A transmissão com tratamento fica desprezível em torno de 0,1% e 0,2%”, apontou o infectologista Jorge Senize, do Núcleo de Patologias Infecciosas da Gestação, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para ele, alguns grupos ainda apresentam dificuldades maiores, como usuárias de drogas, por exemplo. “Porque essa é uma mulher que você se deixar por conta dela ela não vai ao pré-natal e também não vai tomar medicação corretamente. O uso de drogas e dependências é muito comum”, destacou.

Atualmente apenas as cidades de Curitiba e Umuarama, no Paraná, e São Paulo conseguiram eliminar este tipo de transmissão. Nesse cenário, Guarulhos não registrou nenhum caso de transmissão vertical neste ano. Já no ano passado, no mês de fevereiro, houve um registro. Os números, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, são resultados de investimentos na implantação e implementação da execução de testes rápidos para o diagnóstico do HIV em todas as unidades de saúde e maternidades. O teste deve ser realizado na Unidade Básica de Saúde (UBS) nos três primeiros trimestres da gestação, de acordo com o protocolo vigente da Rede Cegonha.

Ainda foi criado um comitê de investigação de casos de sífilis congênita e transmissão vertical do HIV, o qual se reúne mensalmente com representantes da Vigilância Epidemiológica, Rede Cegonha, Programa IST/AIDS e Hepatites Virais e Maternidades. Na ocorrência de um caso de transmissão vertical, inicia-se uma investigação que terminará com a deliberação de uma ação corretiva pelo comitê.

Ministério da Saúde: 135 mil convivem com HIV no país e não sabem

O Ministério da Saúde fez um alerta: 135 mil pessoas no Brasil convivem com o vírus HIV e não sabem. De acordo com os dados apresentados, das 900 mil pessoas com HIV, 766 mil foram diagnosticadas, 594 mil fazem tratamento com antirretroviral e 554 mil não transmitem o HIV. O balanço aponta ainda que o número de contaminados continua subindo no país: há um ano, eram 866 mil pessoas. Somente no ano passado, foram notificados 43,9 mil novos casos.

Imagem: Arquivo/Agência Brasil