Flip Mantém Vivo o Prazer Inesgotável Pelos Livros

Ter participado da 17ª Festa Literária Internacional de Paraty, Flip 2019, foi libertador, esperançoso e especial. Libertador por ver tanta gente, de todas as raças, etnias e idades presentes num dos maiores eventos literários do país. Esperançoso pelo o frenesi da procura por livros, mesas de debates, rodas de conversas e atividades em cada espaço da cidade. Especial porque Paraty, onde o evento acontece, e toda sua diversidade arquitetônica, sua arte e cultura, composta também por indígenas e quilombolas do entorno, ganhou recentemente o título Patrimônios Mundial da Humanidade.

Estar na Flip é como ler um livro que você não consegue parar. O tempo todo você se depara com uma provocação, uma autora vendendo o seu livro, um poeta declamando sua poesia, ou um morador, com sua própria barraca, expondo os seus livros usados e o próprio pessoal da cidade, participando não só da organização de toda a festa, mas também os autônomos e os indígenas, nas ruas ou nas lojas, vendendo suas artes e seus adereços. Tudo isso, fora as atividades principais, que foram muitas e para leitores de todas as idades.

Além de atividades para crianças, uma parte importante do evento foi a “Flip Negra”, que ocorreu num Quilombo. Aliás, os autores e autoras negras do Brasil e de outros países, com seus livros e publicações variadas, foi, no meu ponto de vista, um dos pontos altos da Flip 2019. Temas como feminismo negro, romance sobre imigração, poesia sobre luta e resistência, além de livros infantis, crônicas e cordéis deram a tônica dessa potente e vibrante literatura.

O evento homenageou Euclides da Cunha, autor de “Os Sertões”, publicado em 1902, sobre a sangrenta Guerra de Canudos (1896-1897), ocorrida no interior da Bahia, onde seus personagens centrais, o líder Antônio Conselheiro e seus seguidores, foram dizimados por defenderam sua terra e crenças religiosas. O paralelo com a Guerra de Canudos e o Brasil de hoje deu o tom nas mesas de muitos debates. Enfim, estar na Flip foi uma experiência de muita emoção, desprendimento para aprender e repensar conceitos.