‘Estamos deixando um legado na cidade’

Lucy Tamborino

Com o início do ano, muitos planos são feitos. Para os estudantes é época de procurar um cursinho pré-vestibular e se preparar para as provas tanto das universidades públicas e particulares, quanto para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A avaliação hoje é a porta de entrada para o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Só ano passado, Guarulhos contou com um total de 24.698 pessoas inscritas. O munícipio foi o segundo em número de inscritos confirmados do Estado, ficando atrás apenas de São Paulo com 216.016 estudantes.

Diante desde cenário, a Folha Metropolitana conversou com Ruy Guérios, mantenedor do Centro Universitário Eniac, que desenvolveu, junto com sua equipe, um cursinho pré-vestibular social com taxas abaixo do mercado e parcerias com escolas públicas. A próxima turma deve iniciar em março. Ao todo são 400 vagas, sendo 300 na unidade do Centro (rua Força Pública, 89) e outras 100 no Bonsucesso (estrada Juscelino Kubitschek de Oliveira, 5127).

Abaixo os principais pontos desta entrevista que pode ser conferida na íntegra no site www.fmetropolitana.com.br.

Folha Metropolitana – Como surgiu a ideia do cursinho pré-vestibular social?

Ruy Guérios – Nós trabalhamos muito com jovens, eles são inconformados e querem fazer mais pela sociedade. Então a ideia do cursinho social surgiu com o time de estagiários e professores. Eu falei que queria um projeto social e eles deram a ideia do cursinho pré-vestibular. Eles mesmos estudam ou estudaram na Universidade de São Paulo (USP) e não vieram de condições socioeconômicas altas, precisaram se matar de estudar para entrar na universidade.

Há quantos anos o cursinho está atuando na cidade?

Atuamos de 2004 a 2007 e retornamos com o projeto no ano passado com este formato social.

Quais são os diferenciais?

A maior diferença do cursinho é que nós fazemos um diagnóstico do aluno para saber em qual matéria ele tem defasagem no conteúdo. Em geral, esperamos que seja em português e matemática que são as bases do conhecimento. Nós fazemos um trabalho de revisão e ele faz exercícios junto com a nossa equipe, além de ter algumas plataformas digitais onde o aluno treina bastante estas competências. A cultura do Eniac é movimentar os alunos e não deixá-los só ouvindo a aula. O nosso método é do conhecimento aplicado, o aluno precisa fazer exercícios, ser treinado para o tipo de prova dos vestibulares e tirar dúvidas. Nós damos todo este apoio. Os nossos professores e auxiliares entraram na USP, então eles sabem ensinar este caminho para os estudantes.

Então os professores também são fundamentais no processo.

São pessoas iluminadas por Deus, que têm a facilidade de comunicar, amam a matéria que lecionam e adoram esta ideia de ajudar as pessoas. Eles são muito diferentes. Faço um convite para as pessoas que querem prestar um vestibular e Enem neste ano: venham para o Eniac entender como funciona.

Como o estudante pode se inscrever e até qual dia?

Muito simples. Tem um link no site e o aluno pode entrar e colocar os dados pessoais dele. Quanto antes a inscrição for realizada melhor, porque nós já podemos fazer todo o processo de assimilação do aluno e ele pode conhecer o espaço. A primeira turma começa em março.

Qual o conteúdo oferecido?

Trabalhamos com todas as matérias, mas em bloco e não separadamente. Nós trabalhamos em cima da Base Nacional Comum Curricular, que define as competências que serão cobradas dos alunos. As perguntas hoje são interdisciplinares. Tem uma linha que são as ciências da natureza, outras são ciências sociais e matemática e português que são as duas principais. Outro grande lance do Enem é a redação, nós também fazemos um trabalho maravilhoso. Vários alunos em depoimentos espontâneos disseram que buscaram nosso cursinho porque a nota da redação vale muito. Eles contaram que não sabiam se expressar e quando chegaram aqui conseguiram entender e tirar uma grande nota. O Eniac está virando uma referência no Ministério da Educação pelas notas altíssimas em redação. Se você ensina uma pessoa a interpretar e se comunicar, isso não vai só ajudar a entrar no Enem, vai ter um efeito positivo na vida dela. A partir do momento que você interpreta bem, você consegue entender de tudo. Não existe mais hoje eu sou de Exatas ou de Humanas, tudo que se aprende na carreira serve para qualificação do estudante.

Qual a taxa de aprovação do cursinho no último ano?

A taxa foi de 10% das pessoas que fizeram o cursinho. Se eu contar daqueles que foram assíduas e se esforçaram, indo todos os sábados, esta taxa sobe radicalmente. Nós tivemos 400 alunos, cerca de 100 foram mais presentes e 40 entraram nas instituições públicas. Quase 40% de taxa real.

Quanto é cobrado por mês para cada aluno?

Desenvolvemos um trabalho para não cobrar nada. Temos parcerias com algumas escolas públicas do Estado que se concentram na periferia da cidade onde a dificuldade social é maior. Para o público em geral nós estamos cobrando uma taxa para poder ajudar no programa, ela nem paga todas as contas, mas ajuda com a remuneração dos professores e divulgação do curso. A gente está cobrando o mínimo mesmo. Para a unidade do Centro é um valor e na do Bonsucesso ainda menor.

Existem condições especiais, como descontos?

Primeiro o estudante que já fez o cursinho no ano passado e não entrou em nenhuma faculdade não paga nada neste ano. Tem descontos para alunos que indicam outros amigos, além das bolsas das escolas públicas conveniadas.

Outras escolas podem procurar o Eniac para esta parceria?

Os representantes das escolas podem entrar em contato. Somos um cursinho de portas abertas e queremos fazer o máximo possível. Inicialmente a gente está entrando com um número de vagas limitadas, mas é para poder fazer outras turmas e poder crescer.

Você acredita que o cursinho vai deixar um legado para cidade?

Já estamos deixando um legado. Os estudantes de baixas condições socioeconômicas estão conseguindo ingressar no nível superior. Acredito que as pessoas que estudarem e se formarem já são movimentações sociais incríveis. Eu nunca entrei neste ambiente pensando em ganhar dinheiro, mas pensando em doar e fazer a transformação.

Imagem: Divulgação

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