Esporte em ano eleitoral

Politica e esporte sempre foram campos de atuações intencionais e sistematizadas. Organizado estrategicamente às vezes com toda honra e glória como na Grécia, o berço das Olimpíadas, otimizado tanto para preparação militar quanto para estabelecer relacionamento de paz entre as cidades e os estados, ou como em Roma com a finalidade de evitar rebeliões, estabelecendo-se política do pão e circo, com lutas sangrentas, entre gladiadores e animais, execuções onde ao final a plateia recebia pão.

O esporte e política já estiveram no plano principal nas disputas étnicas. Nas Olimpíadas realizadas na Alemanha governada por Hitler, jogos muito bem organizados, já que Hitler queria mostrar ao mundo a força e a organização do governo nazista, querendo mostrar ainda que a raça ariana era superior, porém sua hegemonia ficou abalada com os atletas negros (como Jesse Owens) ganhando várias medalhas de ouro.

No auge da Guerra Fria, o esporte, volta ser protagonista com espionagem de treinamentos, planos e até boicotes nas Olimpíadas de Moscou e Los Angeles, fortalecendo países como Rússia, Cuba e EUA. O esporte foi usado como instrumento ideológico e propaganda, cada vitória era uma forma de fortalecer a política e soberania de cada regime.

Em ano eleitoral, uma bandeira permeia quase todas as proposta e ideais de pré-candidatos e candidatas tanto ao executivo como ao legislativo. O ESPORTE.

Muitos são seus desdobramentos, esporte amador, geralmente o futebol de “várzea”, esporte como inclusão, esporte vinculado a Educação e saúde, esporte como um mecanismo de promoção da cultura corporal, esporte Adaptado, enfim, passa a ser pauta principal e talvez mais facilmente exemplificado por tratar-se de fato de uma área do desenvolvimento humano que simbolicamente representa muito da nossa sociedade. Emoção, aprendizado, vitórias, derrotas, superação, determinação, disciplina… São algumas das expressões e links usados para esclarecer e/ou correlacionar com ações do cotidiano de todos nos. Por vezes essa mistura até extrapola o campo racional da política e de fato vira um jogo, com torcida, paixões e discussões.

Infelizmente, devido a Pandemia, este ano não tivemos a oportunidade de vivenciar o clima olímpico, com todo seu entusiasmo, celebração da diversidade, da empatia, da amizade e principalmente da competitividade leal. Porém, espero eu que neste ano politico eleitoral, o esporte de fato tome seu lugar de destaque, nas discussões, proposta, troca de ideias e seja tratado com responsabilidade, seriedade e profissionalismo que esta manifestação do desenvolvimento humano integral merece.

Edu Vela