Ensino integral já faz diferença


Existem boas ações acontecendo na Educação no país, em especial em São Paulo. O crescimento do ensino integral é uma delas. Até 2018, o Estado tinha 364 escolas em tempo integral – 6% da rede. Atualmente, são 2.050 escolas – 40% do total. Quanto ao número de vagas, o Estado deu um salto extraordinário: passando de 115 mil para 1,1 milhão nos últimos três anos. Ou seja, o Governo paulista ampliou em cinco vezes a quantidade de escolas de tempo integral e multiplicou por dez a capacidade de abrigar alunos nesse modelo de ensino. Só na região de Guarulhos hoje são 56 escolas de ensino integral e cerca de 35 mil alunos matriculados.

A ampliação do tempo de aprendizagem contribui para reduzir a defasagem entre o ensino brasileiro e o de nações desenvolvidas. Nos países com melhor desempenho no PISA, a jornada escolar diária é de sete horas ou mais, enquanto a brasileira é de quatro horas. Com o ensino integral essa diferença desaparece. Em São Paulo, 62% das escolas do programa têm de nove horas de aulas a cada dia e 38% de sete horas.

Evidências científicas comprovam o impacto positivo dessa. Dados do Ideb revelam que, entre 2017 e 2019, as escolas no modelo parcial cresceram 9,7% no Ideb, enquanto as de período integral melhoraram 17,3%. Não é à toa que as escolas paulistas mais bem ranqueadas no mesmo Ideb sejam as de tempo integral, tendo batido as metas estabelecidas.

O crescimento do ensino integral representa, de fato, ganhos na aprendizagem do aluno. Estima-se que um ano de português e matemática nesse modelo seja equivalente a três anos de uma escola regular. Isso tem impacto no acesso ao ensino superior. Um estudo do Instituto Sonho Grande, mostrou que a possibilidade de ingresso deles na universidade é 17 pontos maior (63% contra 46% das escolas parciais). O mesmo instituto estimou um aumento de 18% na renda média dos egressos.

Mais do que incentivar a expansão desse modelo é necessário compreender as novas exigências da educação do século 21. Hoje, é preciso ofertar um ensino de forte conteúdo acadêmico, mas também profissionalizante, além de desenvolver nos alunos habilidades socioemocionais e de liderança. Evidente, isso requer mais horas do aluno no ambiente escolar. Mas isso não basta. É necessária uma escola integral, com instalações adequadas, professores motivados e bem remunerados, suporte tecnológico e acadêmico.

A ampliação da oferta do ensino integral é um caminho sem volta. Em São Paulo, o objetivo do governador Rodrigo Garcia é universalizar o ensino médio integral em 3 anos e com isso garantir a profissionalização dos alunos. A meta será perseguida, a despeito de resistências corporativas ou de motivações políticas menores.

Hubert Alquéres é Secretário de Educação do estado de São Paulo e membro da Academia Paulista de Educação

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