Educação se faz com seis mãos: duas do aluno, duas da família e duas da escola

Shirlaine Paduin

Mantenedora do Externato Parque Continental – Especialista em Educação – Coaching Familiar

O papel da família na formação e na aprendizagem das crianças e jovens é ímpar. Nenhuma escola, melhor que seja, consegue substituir uma família, e nenhuma família, por mais condições e estrutura não substitui uma escola.

A parceria família, alunos e escola sempre foi um elo importantíssimo no desenvolvimento da aprendizagem de qualquer criança ou adolescente. Não há como negar que quando a família se descuida do desenvolvimento escolar de seus filhos, estes apresentam queda acentuada nos resultados, ou quando o aluno não quer fazer seus compromissos, ninguém fará por ele e ou quando a Escola não realiza seu papel dentro da sua Missão, não há resultados promissores. É com essa parceria que venho buscando em todos os anos da minha profissão de Educadora. A importância de estarmos numa mesma sintonia, faz com que o aluno se sinta seguro dentro de todo o processo de aprendizagem.

A família e a escola contribuem significativamente na formação do indivíduo. Para isso é necessário que sigam os mesmos princípios e parâmetros. Ainda que os mesmos objetivos, cada uma deve fazer sua parte para que as crianças e jovens se desenvolvam em todos os aspectos.

A família, como primeira instituição social formadora, desempenha um papel importante na formação do filho, pois proporciona a constituição de sua essência. É nesse núcleo que o indivíduo torna-se um ser capaz de elaborar as suas próprias competências. A educação no contexto familiar influencia o desenvolvimento da autoconfiança da criança, formando-a e constituindo-a enquanto ser humano completo. As vontades, os desejos e as expectativas familiares que envolvem a criança promovem bem-estar e equilíbrio quando dosados e colocados à disposição de maneira adequada.

Na escola o indivíduo deve encontrar alicerce para sua formação. Cabe a ela promover o desenvolvimento de competências e habilidades do aluno, competências essas que promoverão a inclusão desse sujeito na sociedade. Compreende-se que o papel do educador seja o de favorecer o desenvolvimento do ser humano, sendo um mediador na construção do conhecimento, com um ambiente afetivo em sala de aula, fundamental ao educando. Um espaço de alegria e ampliação de conhecimentos, descobertas e desejos, principalmente da vontade de aprender, pois nesse meio a criança e jovem recebem formação cultural. E essa criança e ou jovem precisam ser protagonistas da sua vida estudantil, devem entender que a ação principal do “fazer” “realizar” “vivenciar” deve partir dele, só assim chegará no objetivo proposto pela escola, pela família e para o seu próprio sucesso.

Quando falamos de papéis, falamos de responsabilidades distintas. Os pais (família) com suas responsabilidades de pais, os professores com suas responsabilidades de professores e os alunos com as suas.

Atualmente, estamos vivendo numa crise de papéis em que de um lado ficam os pais que exigem dos professores posturas que são próprias dos genitores, do outro, professores debatendo sobre a total falta de atenção e ausência por parte dos pais na vida de seus filhos e no meio, crianças e jovens carentes, ansiosos, agressivos e desinteressados que também usam “bodes expiatórios” para assumirem suas irresponsabilidades escolares.

Não é difícil entender esse jogo de empurra-empurra, vemos hoje em dia crianças e jovens cada vez mais precisando de auxílio psicológico ou de especialistas emocionais, não conseguindo realizar suas tarefas diárias escolares (por mais simples que sejam), buscando desculpas para o seu não comprometimento, e chegando muitas vezes a ficarem deprimidos e sem objetivos concretos.

Isso também se dá pelo fato de famílias ficarem ausentes o tempo todo de suas casas, no mundo que vivemos precisamos todos estar trabalhando, o tempo é muito escasso para pais e familiares se dedicarem nas atividades de seus filhos integralmente, acompanharem suas lições, as atividades propostas pela escola, e muitas vezes é passada uma autonomia para o aluno sem esse mesmo ter maturidade de exercê-la.

Os professores (a escola) que muitas vezes não quer entender os problemas das famílias, somente apontam erros aos alunos sem dar uma solução para essa realidade que estamos vivendo.

E as crianças e jovens muitas vezes por falta de auxilio e apoio se perdem em seus afazeres, e acaba virando um ciclo vicioso, de uns culpando os outros, sem saber muitas vezes organizar seus papéis.

E, para sair das culpas, e partir para a solução, precisamos achar um meio de firmar uma aliança com os pais (Escola e Família), desta forma as crianças e jovens, se sentem mais seguros, e evitam grandes desculpas, e entendem que falamos a mesma linguagem, queremos o mesmo objetivo, queremos o mesmo bem.

Entendendo que a Escola deve propiciar meios para que essa aliança seja concretizada entre as famílias, alunos e a própria escola.