Coluna Livre com Hermano Henning


Ouvi de muita gente, no velório de Juarez Soares no cemitério da Consolação em São Paulo, que o jornalismo esportivo, na ausência dele, estaria mais pobre. Sem dúvida.

Juarez era um profissional dedicado. E durante a longa carreira de repórter, comentarista e apresentador, colecionou amigos. Ele era da minha geração, um pouco mais velho. Uma geração que, aos poucos, vai se despedindo. Tinha a mesma idade de Paulo Henrique Amorim, que se foi também há poucos dias.

Juarez veio do rádio. E do rádio do interior de São Paulo. Rádio Cultura de Lorena. E começou muito cedo na profissão, em 1958. Três anos depois já estava em São Paulo. Em 1974 estava na Globo, passando antes pela então Rádio Nacional, que funcionava ali na Rua das Palmeiras, onde operava também a Rádio Excelsior, hoje conhecida como CBN. Ao lado da Praça Marechal Deodoro.

Na Globo dos anos setenta, os profissionais vindos das emissoras de rádio eram muitos. A começar pelos dois locutores do Jornal Nacional, Cid Moreira e Sergio Chapelin. Eram funcionários da Rádio Jornal do Brasil, do Rio, quando foram contratados por Armando Nogueira, diretor do jornalismo global. No exterior tínhamos Hélio Costa, vindo da Rádio Voz da América, e, em Brasília, Alexandre Garcia que, antes, trabalhava no rádio em Porto Alegre.

Petista e Corintiano

Nei Gonçalves Dias, comentarista no jornal que apresento todas as noites na Rede Brasil, trabalhou com Juarez na Rede Globo e no SBT. Estiveram juntos também na Jovem Pan. Na terça-feira, quando transmitimos a notícia, Nei lembrou que, além de jornalista, Juarez Soares era militante político. Era petista e, lembrou meu parceiro de bancada, não escondia suas preferências nesta área. Considerava Lula o maior político que este país já conhecera. Mas não fugia à regra. Lula era unanimidade entre os jornalistas.

Essa ligação com a política levou Juarez à Câmara Municipal. Elegeu-se vereador em São Paulo e foi secretário de Esportes da prefeita Luiza Erundina. Uma carreira curta na política, ao contrário do jornalismo esportivo do qual, na verdade, nunca se afastou. Juarez Soares era petista da época anterior ao Mensalão. Os descaminhos do partido devem ter provocado nele muitas decepções. Opinião minha.

Há colegas nossos que evitam se manifestar a respeito de suas preferências políticas. Juarez nunca as escondeu. Mas nunca pautou seu trabalho por elas.

Também não escondia ser torcedor fanático do Corinthians.

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