Coluna Livre com Hermano Henning


Fiquei sabendo ontem que Guarulhos é a primeira cidade do Brasil a contar com um serviço especial de transporte para compras em supermercados que acaba de ser autorizado por decreto. Chama-se Sind-entregas e, pasmem, funcionava há quase trinta anos sem ser regulamentado, operando principalmente na periferia do município. Esse serviço, feito por automóveis similares aos táxis, com condutores treinados em atender aos fregueses de supermercados, foi oficializado só agora, no começo deste mês pelo prefeito.

O Sind-entregas, já com 180 motoristas filiados, não é uma cooperativa. Funciona como um sindicato. Inclusive é filiado à Força Sindical e tem como presidente o também condutor Wagner Gomes. Gomes tem ainda atividade política: é secretário de assuntos sindicais do partido Solidariedade, diretório de Guarulhos. Ele diz que o objetivo é atender um tipo de cliente muito especial que não tem automóvel, morador na periferia, com dificuldade em transportar suas compras nos ônibus e mesmo nos táxis que “cobram caro pelo serviço e nem sempre têm motoristas dispostos a corridas curtas e fazer o papel de entregador, não só transportando as compras no carro com os passageiros, mas também carregar essas compras até o interior das residências. Fazer o serviço completo”.

É gente treinada neste tipo de atendimento.

Praça Oito, no Taboão

Os motoristas do Sind-entregas podem ser encontrados, com seus carros estacionados, nos supermercados da Praça Oito de Dezembro, no Taboão, e praticamente em toda a periferia de Guarulhos. Gomes cita, só lá na Praça Oito, os supermercados Dia, Assaí, Lopes e Barbosa. Os dois mercados Lopes do Jardim Adriana também dispõem do serviço. Há outros também no Jardim Moreira, vários no Cocaia, praticamente todos os supermercados do bairro de Bonsucesso e dos Pimentas.

Pra quem não tem carro e quer fazer uma compra do mês, ou até mesmo compras que não podem ser transportadas usando ônibus, o serviço veio a calhar. Os carros são adaptados para transportar as compras num compartimento que substitui o bagageiro e parte do banco de trás. Além de muita compra, transporta também mais duas pessoas, além do motorista.

Só tem um detalhe: o Sindicato de Entregas só pode, pelo decreto do prefeito, operar fora da região central da cidade. Gomes explica que a proibição foi a pedido da concorrência.

“Mas estamos satisfeitos e felizes com a periferia. Somos pioneiros”, diz o presidente do Sindicato e ativista do Solidariedade.

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