Coluna Livre com Hermano Henning

Abdo Mazloum, Secretário do Meio Ambiente da Prefeitura de Guarulhos, está preocupado. E, tenho por mim, que muita gente da cidade deveria, a exemplo dele, também se preocupar com o que está ocorrendo na região do Cabuçu. É a nossa última reserva de vegetação e manancial de vida selvagem que a natureza nos entregou. A região se encontrava a salvo da mão destruidora do homem, primeiro por estar distante e segundo pelo difícil acesso. A região resistiu a mais de quatrocentos anos de história, com pequenos sitiantes e pequeno comércio. E vinha se segurando…

Até que… Decidiu-se abrir a mata, agredir morros e montanhas, derrubar as árvores, espantar bichos e pássaros e fazer passar por ali um ente invasor chamado Anel Viário. Detalhando: o setor norte do Anel Viário, ligando as rodovias que servem a capital, e, pro nosso lado aqui, integrando Fernão Dias com Via Dutra.

Rasgando a mata, as máquinas vieram com fúria e destemor. E, atrás, delas, o homem.

As invasões

Mazloum explica que não é apenas o Anel Viário. Se considerássemos apenas (apenas?) o rasgo de asfalto negro no meio do verde, em nome do progresso, vá lá. Afinal, é o progresso. Os caminhões precisam disso pra esvaziar as marginais e o centro de São Paulo. Todo mundo acha bom e não havendo acessos locais, em se tratando da região do Cabuçu, o estrago pode ser, até certo ponto, contido.

Mas, segundo o secretário do Meio Ambiente de Guarulhos, o buraco é mais embaixo.

As obras do setor norte do Anel Viário estão paradas. Mais do que paradas. Abandonadas. Resultado: sem qualquer fiscalização e controle, a invasão já começou.

– Podem escrever, diz ele. “Em poucos meses já podemos contar os barracos nos recantos do Cabuçu e na área de proteção ambiental, amparada por lei chamada de zona de amortecimento. Trata-se da segurança do parque da Cantareira que, apesar de não estar em nosso território, fatalmente será atingido para prejuízo de todos nós. Dentro do Município, a região sob ameaça chega à vizinhança de Bonsucesso, lado esquerdo da Dutra de quem segue sentido Rio. A invasão vai estar lá e ninguém vai poder fazer nada”.

O que precisa ser feito, tem que ser feito agora, alerta o secretário. Enquanto é tempo. “Depois vai ficar tarde demais, ninguém vai conseguir tirar esse pessoal de lá”.

Além do setor norte do Anel Viário, há ainda um complicador: o Anel Ferroviário, com a linha férrea vinda de Campinas, também com projeto já aprovado, invadindo a região. Mas isso fica pra outro dia.