Coluna Livre com Hermano Henning

Ainda nos anos sessenta do século passado, uma emissora de rádio com estúdios na rua D. Pedro II, então centro comercial absoluto numa cidade com pouco mais de duzentos mil habitantes, exercia forte influência junto à comunidade local. A torre de transmissão era fincada num terreno baldio do Jardim Vila Galvão proporcionando audiência considerável também fora dos limites do município, com sinal nítido e forte na zona norte da Capital. Chamava-se Rádio Difusora Hora Certa de Guarulhos. Hoje, o nome soa bastante estranho. Não ocorria naquela época. Dizia-se, naquele tempo, que a rádio, em 1450 khz com 250 watts de potência, unia a cidade não só nos momentos importantes como a “marcha das apurações” com a contagem dos votos em época de eleição, mas também no dia a dia. O nome de José Afonso, apresentador, era extremamente popular. Com Henrique Taffo, Walter Ferreira, Oscar Teodoro promovia, semanalmente, programas de auditório no cine República, ali mesmo na rua D. Pedro II. Um sanfoneiro vindo de Promissão, no interior do Estado, apresentava um programa de música sertaneja ao cair da tarde. Seu nome, José Bettio, seria depois conhecido em todo Brasil depois de se mudar para a Rádio Record e por lá ficar durante muito tempo. Não posso esquecer da equipe esportiva, comandada por um locutor que transmitia futebol igualzinho ao então famoso Edson Leite, da rádio Bandeirantes. Era Osvaldo Tassi.

Os tempos mudaram e Guarulhos perdeu sua rádio. Foi comprada por um grupo espírita que trazia uma missão nobre: cuidar de criança excepcionais. Mudou de nome, virou Boa Nova. E prossegue até hoje divulgando a doutrina espírita com campanhas permanentes em favor das Casas André Luiz.

Nada contra.  A missão é nobre e cristã. Merece elogios. Lamentável é que Guarulhos nunca mais teve algo semelhante à velha Difusora Hora Certa pra viver junto com a cidade. Faz falta.

O impacto da notícia

Ele próprio talvez não tivesse ideia do tamanho de sua popularidade. Do que representava para o público brasileiro. Como era querido…

As reações que se seguiram ao trágico desaparecimento de Ricardo Boechat levam-nos a acreditar que, em sua história, o Brasil nunca foi tão impactado pela morte de um profissional da notícia como aconteceu agora. O país enlutou por inteiro. Não era artista de TV, cantor, ator de cinema, político populista, craque de futebol, não era, enfim, uma celebridade. Boechat era um jornalista. E esbanjava credibilidade. Era verdadeiro.