Coluna Livre com Hermano Henning

O que nós chamamos aqui no Brasil de “contribuinte”, os americanos chamam de “pagador de imposto”, o taxpayer. A denominação inglesa, decididamente, é a mais correta. Pra mim, condiz mais com a realidade. A palavra “contribuinte” nos leva a uma falsa conotação de voluntariedade. Ou seja, você “contribui”. Pagador de imposto me parece mais real, mais categórico. E é isso que nós somos.

Pois bem, a Câmara Municipal de Guarulhos mantém há nove meses, ou seja, nós pagadores de impostos mantemos há nove meses, uma emissora de televisão sem operar. São vinte funcionários públicos, todos eles jornalistas muito bem pagos que custam todos os meses uma bela soma aos pagadores de impostos da cidade. Cada um deles chega a custar quinze mil reais por mês, ou mais, caso exerça cargo de chefia cujo salário pode ser acrescido em nove mil reais.

Funcionários Públicos

Esses funcionários da TV Câmara foram admitidos em um concurso público que, expressamente, estabelecia um horário de trabalho de oito horas diárias. E, desde a inauguração da emissora há sete anos, os concursados tem cumprido a jornada, segundo os termos do concurso. Recentemente, amparados pelo Sindicato dos Jornalistas, conseguiram uma redução para cinco horas diárias. É o que estabelece lei federal sobre a jornada de trabalho da profissão. Alguns deles, como já disse aqui, pretendem receber atrasados pelo que trabalharam a mais durante este tempo. Seriam considerados como horas extras.

O novo horário ainda não foi implantado. Os jornalistas da Câmara chegam às 9 horas, marcam o ponto, e saem as 17 horas marcando a saída novamente no relógio, como todo bom funcionário público. Com a nova jornada sairão mais cedo. Ou entrarão mais tarde. E aqui entre nós, pior do que trabalhar é ficar ali, durante horas, sem fazer nada…

Luz no túnel

O problema todo é que a TV Câmara não tem equipamento para operar. Difícil acreditar, mas é verdade.

Surge agora a notícia de que, finalmente, a Câmara de Vereadores de Guarulhos dará uma solução para o problema. Foi feita a convocação de um processo licitatório para o aluguel de câmeras, tripés, microfones, computadores de edição, cabos e equipamento de iluminação, sem o que a televisão não funciona. A abertura do procedimento será as 10 horas da manhã do dia 4 de abril no mesmo local onde são realizadas sessões. Vamos ver se, desta vez, o processo anda…

Manter uma emissora de TV é algo caro. É preciso considerar que quem paga somos nós.