Coluna Livre com Hermano Henning

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Ao ler a notícia de que um caminhão foi engolido por uma cratera aberta pela chuva no asfalto de uma rodovia na região de Marilia e de três mortes em Botucatu, lembrei-me das ocorrências passadas aqui em Guarulhos com as enchentes trágicas dos anos setenta. Na época, repórter desta Folha, cobri tragédias parecidas na Via Dutra e na periferia da cidade.

Na periferia, eram sempre os deslizamentos de barrancos nas construções frágeis e improvisadas das favelas. Na invasão da Vila São Rafael, imediações da Fernão Dias, uma família inteira sucumbiu embaixo da lama. Lembro-me bem. Das quatro pessoas, apenas um bebê com menos de um ano se salvara. Tempos difíceis. Eu diria até que eram mais difíceis que hoje.

Quanto à São Paulo é digna de registro a manifestação do político Paulo Maluf dizendo que o povo tem “saudades do Maluf”.

Cara de pau o ex-prefeito e ex-governador sempre teve. Poderia, pelo menos, nos poupar desta triste lembrança. Ele quis dizer que, no tempo dele, as coisas eram diferentes. Uma piada sem graça nesses tristes, embora previsíveis, dias de rios e córregos transbordantes.

Senti que Osasco junto com a região oeste de São Paulo sofreu mais que a gente aqui. Mas não foi fácil pra ninguém.

Só não consigo entender por que nossos políticos são tão insensíveis com os problemas das enchentes. Ouvi dizer que essas obras, embora necessárias, desaparecem e não contam pontos na hora do voto. Ficam escondidas do eleitor. Pode ser, mas há controvérsias.

Nada como uma bela ponte ou viaduto cruzando o centro da cidade. Ou uma bela fonte luminosa na praça como os prefeitos das pequenas cidades gostam de exibir. Mas…

Na minha querida Guararapes, o prefeito em sua primeira passagem pelo Executivo há alguns anos, decidiu construir uma bela praça, com fonte luminosa e tudo, no lugar onde existia uma lagoa, deixada por uma antiga olaria. O lugar, abaixo da linha do trem, era conhecido como “Esmaga-Sapo”. Fácil de saber por quê.

A nova praça recebeu o nome de um velho comerciante árabe da região. Pai do prefeito.

O asfalto cobriu todas as ruas e o comércio logo se instalou nas imediações. Sorveteria, farmácia, supermercado, quitanda e banca de jornal. Até aí, tudo bem.

No domingo, o desastre. A água da chuva, antigamente absorvida pelo brejo e lagoa que existiam ali, invadiu tudo. Prejuízo violento. Agora, dizem que o prefeito, que quer ser reeleito, tem que tirar o cavalo da chuva. Um pretendido quarto mandato pode ter sumido na enxurrada.

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