Coluna Livre com Hermano Henning


Conheci Pedro Bial ainda muito jovem nos tempos da Globo. Sempre foi um jornalista muito dedicado e competente. Em seus textos, no Globo Repórter, era quase um poeta. Só que, depois de um tempo, já famoso como jornalista de TV, desviou-se bastante da profissão ao se tornar um daqueles personagens que o mundo do entretenimento roubou da gente. Virou âncora do programa Big Brother. Aconteceu de repente. “Quando eu vi, já estava lá”, disse ele uma vez. Perdeu-se um jornalista, ganhou-se uma estrela.

Recentemente, um pouco assustado, trombei com Pedro Bial fazendo propaganda no rádio falando das maravilhas de ter uma conta no Bradesco. Mas, tudo bem, ele não se considera mais simplesmente um jornalista. Resolveu trilhar um outro caminho, sem aquele compromisso quase sagrado com a credibilidade que é preciso sempre ter nesse ofício de repórter. Nada contra.

Hoje Pedro Bial apresenta um programa de fim de noite como entrevistador. Herdou-o de Jô Soares. Algumas de suas entrevistas são muito boas. Outras nem tanto, mas elas dependem quase sempre do entrevistado. Se for alguém interessante, de bom papo, costuma render.

Pedro Bial esteve nesses dias em Porto Alegre onde deu entrevista numa emissora de rádio, a Rádio Gaúcha, falando do documentário da cineasta Petra Costa, Democracia em Vertigem. Disse o que pensa: o trabalho é mentiroso.

Democracia em Vertigem está no Oscar como indicado ao prêmio de melhor documentário e pode ser visto no serviço de streaming da Netflix. Há uma versão em inglês que corre o mundo.

Pois é, a livre manifestação como a de Bial, mereceu pancadas vindas de todo o mundo lulopetista para o qual o preceito constitucional só vale para quem está de seu lado. “Pode falar o que pensa, mas desde que seja a favor”, não é assim?

É assim mesmo. Os adversários pensam igual. A proteção da lei é muito boa, mas só quando ela está comigo. Para jornalistas a serviço do PT, Bial falou em nome da Globo. “É coisa da Globo” alegou o site 247.

Tudo dentro do esperado. Mas, a reação de Dilma Rousseff se destacou. Imaginem uma ex-presidente da República entrando nessa história. No Twitter, ela disse que Pedro Bial é machista, “sexista e misógino” juntando-se ao pessoal que acusa o apresentador de ter escrito um livro-louvação à Roberto Marinho, o outrora poderoso dono da Globo.

Bial, que teve coragem de chamar o documentário de mentiroso, agora é o novo inimigo de morte do PT. E de Petra Costa. A quem, por sinal, desejo boa sorte no Oscar. É a verdade dela na disputa. Tem direito.

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