Coluna Livre com Hermano Henning


Fala-se muito do carnaval da Bahia e da festa de Nosso Senhor do Bonfim como as grandes manifestações culturais e festivas da cidade de Salvador. Mas há um outro acontecimento lá, na praia do Rio Vermelho, que reúne tanta gente quanto. É a festa de Iemanjá, no dia dois de fevereiro.

Iemanjá é a nossa Rainha do Mar, orixá africano do Candomblé. É a protetora dos pescadores, jangadeiros e marinheiros.

Os baianos se vestem de branco e entram no mar para jogar flores para a rainha. Flores e oferendas.

É, sem dúvida, a mais venerada entidade em todo Recôncavo. De Salvador a Santo Amaro. Ela é a mãe de todos os orixás.

Iemanjá tem uma sua correspondente na religião católica. Aliás, são várias. Uma delas é Nossa Senhora da Conceição, nossa padroeira aqui de Guarulhos e de pelo menos meia dúzia de cidades espalhadas pelo estado.

O dois de fevereiro é também dedicado à Nossa Senhora dos Navegantes que é a santa que dá nome à pequena igreja, uma capela, onde acontece a maior concentração junto à praia de águas tranquilas bem perto de Ondina e do Farol da Barra. Ao lado fica a colônia de pescadores.

Ali pertinho também está a casa onde viveu Jorge Amado, hoje um bem cuidado museu administrado por sua filha, Paloma. Paloma esteve conosco na comemoração dos 50 anos da TV Aratu no Teatro Castro Alves, dois dias antes da festa do Rio Vermelho. A lembrança foi dela: “você não pode perder”.

O que assustou neste dois de fevereiro foi a quantidade de gente. Não era só gente do candomblé, dos espíritas e umbandistas. Eram católicos, evangélicos e turistas, muitos estrangeiros. E, também, pelo menos, um judeu: o cantor menestrel Juca Chaves, morador da rua da Poesia, em Itapuã.

Os políticos vieram também, para serem vistos e reconhecidos. Como na procissão do Senhor do Bonfim, lá na colina sagrada da cidade baixa.

A imagem da rainha dos baianos, todos os anos, segue numa embarcação para o alto mar, junto com algumas das oferendas. Isso, depois da procissão da entrega dos presentes colocados nos quinhentos balaios levados pelos barcos. Eles seguem a embarcação que tem a imagem do orixá.

As cinco horas deste domingo começaram a soltar fogos em Salvador. Foi um dia de sol não muito quente. Um calor abençoado pela refrescante brisa da orla, perfeitamente suportável. A Polícia Militar calculou entre 700 mil a 800 mil pessoas na concentração do Rio Vermelho.

Os Filhos de Gandhi estavam lá. Ha sempre muita música no dia de Iemanjá. E muita cerveja. Como nos versos de Dorival Caymmi: “fevereiro tem festa no mar…”

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