Coluna Livre com Hermano Henning


O ex-juiz da Lava Jato e agora Ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro voltou a dar entrevista esta semana. Desta vez foi participar da inauguração do novo estúdio da Rádio Jovem Pan usado para transmitir o alegre programa “Pânico”.

Gosto do programa e de seu apresentador Emilio Surita pelo tom escrachado e sem preocupação com o politicamente correto. É um programa de humoristas, mas fala de coisas sérias.

Como na segunda-feira, quando colocaram Sergio Moro na parede e fizeram-no confessar que, sendo ministro do governo Bolsonaro, não pode deixar de apoiar o presidente na campanha pela reeleição em 2022.

“É uma questão até de lealdade”, ressaltou o Ministro, ao dizer que não tem nenhuma intenção de deixar o governo. Muito menos se candidatar à presidente: “Não tenho esta perspectiva de ir para a política partidária ou de concorrer às eleições. Não está no meu perfil”.

Nem todo mundo acredita.

Leio no jornal que Moro não fala a verdade. Os colunistas da Folha de S. Paulo garantem que ele está mais candidato do que nunca. E que Bolsonaro pode estar enfrentando uma sinuca de bico, situação onde praticamente não existe saída.

Livrar-se do Ministro não é fácil, concluem os jornalistas da Folha. Pode ser. Afinal, o homem tem mais cartaz que o presidente e é fácil concluir que sem Moro o governo se desfaz. Bolsonaro perde uma parte importante do apoio da massa que o elegeu.

É gente que considera o Ministro da Justiça uma figura que mudou a história do país. Alguém que se empenhou em colocar criminosos de terno e gravata na cadeia. Até um ex-presidente que deixou o governo com mais de oitenta por cento de ótimo e bom. Não foi?

Não adianta. Sem esses eleitores Bolsonaro não se reelege. Uma parcela significativa dessa gente que hoje apoia o governo está com Sergio Moro e a Lava Jato.

O grosso dos comentaristas da Folha detesta o ex-juiz de Curitiba. Dá pra sentir. Herói pra eles é o americano Glenn Greenwald, fundador e dono do site The Intercept. Que fazer?

O certo é que uma possível demissão de Moro poderá dar a ele popularidade ainda maior. Acho que, saindo do governo como vítima, ninguém segura esse homem.

Mas há uma saída: escolher o Ministro da Justiça para ocupar uma cadeira no Supremo. Vai surgir uma vaga agora em novembro. É a grande chance. Não de Moro, mas de Bolsonaro.

O caminho está aberto. Na entrevista no “Pânico”, Sergio Moro, respondendo à pergunta se toparia ir para o STF, respondeu prontamente: “Pode ser interessante”.

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