Coluna Livre com Hermano Henning

O prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa, o Guti, não é um político de esquerda. Guti não é também um político de direita. Ouso dizer que nem de centro ele é. Guti é um político. Aí está. Só isso. Político.

Se você perguntar direto pra ele, é capaz de responder que é de centro-esquerda, como fez comigo. Pode ser. Mas com certa mobilidade…

Filiado ao PSB, partido que se alia ao lulo-petismo, o prefeito de Guarulhos não se mostra à vontade. Quem se junta ao lulismo é o partido em nível nacional ou estadual, não ele. Na verdade, os lulistas de Guarulhos são seus adversários. Os sete vereadores da bancada petista na Câmara nunca deram moleza. E, às vezes, como convém a uma bancada aguerrida e ideológica, fazem oposição sem nenhum receio de se exceder.

Mesmo porque Guti construiu a carreira como vereador batendo forte no PT de Eloi Pietá e na administração que mandou na cidade durante dezesseis anos. 

Mas nem por isso se identifica com a direita de hoje. Guti apoiou sem medo Marcio França na eleição de governador contra João Doria e abraçou com entusiasmo a candidatura de Eduardo Soltur para deputado federal. Tudo isso dentro do partido, o Socialista.

Sinto que o prefeito de Guarulhos pode, por isso, caminhar com certa tranquilidade dentro dessa nossa planície política.

Por isso, quando apareceram especulações que indicavam uma aproximação mais íntima com o presidente Jair Bolsonaro, muito por causa da deferência com que ele o tratou naquela história do pedágio da Dutra, cheguei a pensar que, talvez, poderia mesmo surgir dali uma possível filiação do nosso prefeito ao partido que o presidente quer criar, a Aliança pelo Brasil. Sem constrangimentos.

Foram fortes os comentários: Guti pode aderir e se filiar ao partido do presidente na tentativa de se reeleger prefeito de Guarulhos. Com mais facilidade. Muita gente chegou a acreditar que, com o apoio de Bolsonaro, declarado, a eleição aqui seria favas contadas.

Pode ser. Mas tem um porém.

O partido de sua Excelência tem que sair do papel, tornar-se real, no mínimo seis meses antes das eleições. Sem isso, nada feito. Tudo, portanto, teria que acontecer nos próximos três meses. Difícil, não é?

Agora, mesmo sem se juntar à Aliança pelo Brasil, esse apoio presidencial à candidatura Guti pode vir. Só que não pelo PSB. É fácil entender. Nosso prefeito teria que encontrar outra agremiação. Continua difícil.

De qualquer forma, mesmo com o carimbo socialista, Guti é forte candidato. Sem Bolsonaro.