Coluna Livre com Hermano Henning

Impressionante como tem aumentado o número de bicicleteiros em Guarulhos. Dá-se a eles, agora, a denominação de bikers. É mais estiloso. Quase nunca se aventuram sozinhos pelas ruas. Estão sempre em grupos. Têm suas razões.

Um desses grupos costuma se reunir pelo menos duas vezes por semana na calçada da avenida Paulo Faccini, junto ao Parque Maia. Durante a semana, sempre no final da tarde, começo da noite. Dalí, os integrantes seguem para um passeio que se estende por, no mínimo, duas horas. Muitas vezes, se atrevem ir pelas estradas de menor movimento até cidades vizinhas. A estrada de Nazaré é uma das preferidas.

Recentemente resolveram sair de Guarulhos e ir até Santos seguindo pela Imigrantes. Eram centenas deles que se juntaram aos companheiros paulistanos, chegando aos milhares. Foi uma festa.

Na descida, todo santo ajuda. A volta é mais exigente. Por isso, a grande maioria subiu a serra de ônibus, especialmente fretados. Foi uma aventura que querem repetir pelo menos de três em três meses.

Esses bikers de Guarulhos são uns apaixonados. Dizem que passear de bicicleta faz bem para o corpo e o espírito.

Um deles, Mohammed, dono de uma loja de móveis na Timóteo Penteado, destaca que o mais importante em participar é “promover amizades”.

— A gente fica amigo. A bicicleta nos aproxima.

Lembrei-me desse pessoal ontem ao dar uma notícia na TV onde trabalho, dizendo que o número de mortes de ciclistas cresceu 64% em um ano na cidade de São Paulo. 36 ciclistas morreram em acidentes na capital no ano passado. Em 2.018, foram 22.

Em Guarulhos não vi nada parecido até agora. Sei do caso de um integrante do grupo de Mohammed que se acidentou gravemente. Foi atingido por um ônibus e ficou vários dias hospitalizado. Mas se recuperou e voltou a pedalar.

A justificativa para andar em grupos vem daí. Promover socorro imediato no caso de acidentes.

Há ainda uma outra razão: a segurança. Esses amigos ciclistas alertam que o roubo de bicicletas aumentou muito. Hoje, uma máquina importada estilo mountain bike chega a custar quase o preço de um carro. É claro que nem todos usam essas raridades, mas o número de bicicletas caras entre eles não é pequeno. Alvo fácil para ladrões e assaltantes. Pedalando em grupos, sempre com três ou mais pessoas, é uma providência que deve ser tomada. Sempre.

Dito isto, segue um pedido às nossas autoridades. Já repararam que Guarulhos não dispõe de facilidades nas ruas para o ciclista? Nada. Vou aproveitar e dar um recado para o prefeito: eles existem.

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