Coluna Livre com Hermano Henning

Lula em prisão domiciliar? Pode acontecer.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mais famoso preso da operação Lava Jato, até há poucos dias não queria nem tocar no assunto. Achava que um pedido de seus advogados para cumprir em casa a pena de doze anos e um mês do processo do tríplex do Guarujá significava jogar a toalha ou, para ser mais claro, baixar a cabeça e aceitar a humilhação de ser mais um… Alguém, como tantos mortais criminosos, se submetem aos rigores da Justiça. E, mais importante: a ida pra casa enfraquece a estratégia de apresentar o ex-presidente ao Brasil e ao mundo como preso político. É o apelo da campanha “Lula livre”. Lula, para seus adoradores, é antes de tudo um perseguido pelas forças de extrema direita do presidente eleito Jair Bolsonaro e do governo dos Estados Unidos através da CIA, já que o responsável pela prisão do petista, Sergio Moro, ex-juiz federal e agora ministro da Justiça, seria na verdade um agente da empresa de espionagem americana. Os petistas de carteirinha acreditam nisso. E não só eles, a esquerda brasileira por inteiro não acredita em um só ato que desabone nosso ex-presidente. É, antes de mais nada, um injustiçado. Sofrer na prisão de Curitiba é parte importante dessa estratégia. E, com Lula indo pra casa, a estratégia perde força.

3ª Instância

Pois então. Agora surge a notícia de que “aliados do ex-presidente voltaram a ter esperança de que ele possa ser transferido para a prisão domiciliar”, publicou ontem a coluna Painel da Folha de São Paulo. A expectativa, agora vista com otimismo, é baseada no encaminhamento do processo do tríplex para julgamento da 5ª Turma do STJ na análise do recurso à sentença do Tribunal Regional de Porto Alegre que, não só confirmou como aumentou a pena imposta pelo juiz Moro.

Baseados nas críticas que ministros do Supremo dirigem aos componentes da 5ª Turma que, segundo eles, só chancelam decisões anteriores, lideranças petistas entendem que, desta vez, estão propensos a modificar a sentença optando pela concessão da prisão domiciliar. Argumento frágil, mas vem embalando as esperanças do pessoal do “Lula Livre”.

Quanto à estratégia da vitimização que ganhou contornos trágicos com a morte do neto do ex-presidente é hora de baixar a bola, tudo em nome de um sentimento humanitário que parece, enfim, sobrepor-se aos objetivos puramente políticos e ideológicos. Do ex-presidente e de seu pessoal.