Coluna Livre com Hermano Henning

Não há pior forma de ofender um militante do PT, ou do PCdoB, ou do PSOL, do que um elogio, mesmo que despretensioso, ao ex-juiz agora ministro Sergio Moro.

Foi o que fiz ontem, quase sem querer, antes de anunciar uma entrevista na TV com o militante político, diretor de escola municipal e licenciado de uma outra, estadual, aqui em Guarulhos, Edson Albertão.

Figura bastante conhecida na cidade pelo vigor de seus debates na Câmara, ao tempo em que tinha assento numa das cadeiras da Casa, Albertão foi candidato a prefeito no pleito passado, pelo seu partido, o PSOL.

Dono de um discurso radical de esquerda, o ex-vereador, entre os sete candidatos, teve 3.500 votos, num universo de quase um milhão de eleitores, sem contar as abstenções que foram muitas. Chegou em sexto lugar.

Edson Albertão desistiu do PSOL e filiou-se ao PT, partido pelo qual espera voltar à Câmara na eleição do ano que vem. Foi o motivo que levou a produção do programa Espalha Fatos, a convidá-lo para a entrevista.

Confesso que foi uma das mais tensas conversas registradas no programa até agora. O Espalho Fatos está há seis meses no ar na TV Guarulhos.

Dito isto, voltemos ao Sergio Moro. O ministro virou um saco de pancadas. E seus detratores estão cada vez mais desinibidos.

Antes do surgimento das conversas divulgadas pelo site The Intercept, hackeadas dos celulares do pessoal da Lava Jato, havia um certo cuidado nas críticas ao juiz e procuradores. Afinal, eles mudaram a história do combate à corrupção no Brasil. E conseguiram quebrar a regra de que prisão, aqui, era só para pobre, preto e prostituta, o famoso “três pês”. O povo aplaudiu.

Só que a coisa está mudando. Aconteceu na Itália com as “Mãos Limpas” e está acontecendo aqui. O mundo político reagiu. O Supremo colabora. A imprensa militante joga a favor.

Resultado: pau na Lava Jato. E, claro, pau em Moro, que teve a audácia de colocar “o maior líder político do país”, na cadeia. Edson Albertão, ao vivo, não teve a menor inibição em chamar Sergio Moro de “canalha”.

Lula e seu povo fazem o mesmo. Um dos deputados petistas, que representa Guarulhos na Câmara dos Deputados, chama o juiz Moro de “ladrão”, sem o menor constrangimento.

É claro que, na TV Comunitária de Guarulhos, os debates são bem-vindos. O veterano político Albertão não foi interrompido um só momento. Mas encontrou resistência.

Deixamos, durante a conversa, bastante claro que Moro e a Lava Jato mudaram a história do país, como sujeitos de um movimento que bloqueou o maior esquema de corrupção que se tem notícia na história das nações. Roubou-se muito.