Coluna Livre com Hermano Henning


Apesar da importância que esse evento da Sabesp representa para Guarulhos com o prefeito acertando com o governador a transferência do serviço de coleta de esgoto do SAAE para a empresa de saneamento, o assunto hoje é o presidente Bolsonaro em Nova York.

Guarulhos leva a fama de ser o principal poluidor do Rio Tietê e isso pode estar mudando hoje. Só que a grande pergunta do dia é o que será que Jair Bolsonaro vai dizer nos quinze minutos a ele reservados pela organização das Nações Unidas.

Meu companheiro de bancada na Rede Brasil, Nei Gonçalves Dias, arrisca que “será o discurso de presidente brasileiro mais aguardado de todos os tempos”.

De fato, até hoje, pouca importância se deu à fala de nossos patrícios naquele evento. Ao Brasil, por conta de uma tradição que começou com João Batista Figueiredo, em 1982, é dado o privilégio do discurso inaugural de abertura das Assembleias da ONU na sede mundial em Nova York.

Eu mesmo acompanhei, como correspondente, o discurso de Fernando Collor de Mello em setembro de 1990, reivindicando um lugar para o Brasil no Comitê de Segurança e o acesso às modernas tecnologias “para assegurar ao país um combate eficiente aos danos provocados no meio ambiente”. Talvez o pronunciamento que mais se aproxima do que Bolsonaro faz hoje. Mesmo assim, muito longe.

Em 1985 teve José Sarney que beirou o ridículo falando de um poeta maranhense, seu conterrâneo, cujo nome, me penitencio, não lembro.

Teve Fernando Henrique Cardoso com sua postura intelectual falando da crise financeira que afetava o organismo em 1995. Foi um discurso que também acompanhei ao lado do cinegrafista Orlando Moreira, acomodado num dos balcões daquele imenso salão onde brilharam líderes como John Kennedy, Richard Nixon, Fidel Castro, Nikita Khrushchov e outros tão importantes quanto. Cada um em sua época.

O que Nei Gonçalves Dias lembrou em seu comentário no RB Notícias é que, fora esses líderes das potências internacionais, os pronunciamentos feitos ali são geralmente acompanhados por uma plateia sonolenta e desinteressada. Principalmente os discursos dos presidentes brasileiros.

E eu fui testemunha ocular disso.

Mas o discurso de Bolsonaro, hoje, diferente de todos os outros, era aguardado com muita ansiedade. E interesse. E por isso, acho mesmo que ninguém vai dormir durante a leitura que ele fará na tribuna com olhos fixos no teleprompters.

Uma coisa é certa. Pelas circunstâncias, será o mais importante discurso a ser pronunciado por um presidente brasileiro na ONU. Espero que o resultado seja bom.

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