Coluna Livre com Hermano Henning

A Professora Genilda, vereadora na Câmara Municipal, foi reeleita no domingo presidente do diretório do PT em Guarulhos. Ela venceu o ex-vereador Samuel Vasconcelos por uma estreita margem de votos. Teve 170 votos a mais que ele. Ela, 1.268, ele, 1.098.

Genilda apoia o deputado Alencar Santana que disputa a indicação para ser o candidato do partido na eleição do ano que vem com o ex-deputado e ex-prefeito Elói Pietá

Conclusão: Alencar tem a estrada pavimentada para seguir em frente e ser o escolhido para disputar a prefeitura na eleição do ano que vem pelo PT. Certo? Errado.

Pouco mais de 50% dos votos não garantem muita coisa. O diretório a ser formado depois da eleição do domingo para escolher o candidato terá sua composição obedecendo a porcentagem dos votos conquistados por cada chapa. Em sendo assim, as forças de cada ala terão uma divisão bem balanceada.

Outro detalhe. O Partido dos Trabalhadores tem, em Guarulhos, cerca de 25 mil filiados. Todos eles estavam aptos a votar. Só 2.530 eleitores compareceram. Isso representa dez por cento apenas.

Entrevistado no programa Espalha Fatos da TV Guarulhos na semana passada, o candidato derrotado Samuel Vasconcelos afirmou que a expectativa era a de que pelo menos 5.000 filiados participariam do pleito. Isso não ocorreu e o fato mostra que o grosso da militância não correspondeu à convocação. Faltou motivação? Talvez.

Mas há ainda um outro detalhe que pode ser crucial para definir o candidato do PT a prefeito de Guarulhos. A informação é de preciosíssima fonte: há interesse muito especial nesta escolha na liderança lá de cima. Na verdade, lá de baixo, pois vem de Curitiba.

O resultado da escolha do diretório chegou à sala da Polícia Federal – que muitos chamam de cela – de onde saiu a ordem de que, além do desejo das lideranças, há que se curvar às chances reais de eleição manifestadas pelas pesquisas de opinião.

O grande líder, preso da Lava Jato, quer vencer em Guarulhos e, para isso, pretende que o partido seja pragmático e ouça a voz das ruas e não das lideranças envolvidas na bolha da cúpula e seus militantes mais chegados.

A ordem está dada. O PT de Guarulhos deve escolher o candidato com maiores chances de ser eleito. Nem que, para isso, tenha que se curvar à necessidade de uma prévia. Votam, no caso, os 25 mil filiados.

Ela, a prévia, não é desejada pelas lideranças vitoriosas na convenção. Acham que ela divide o partido. Mas pode ser absolutamente necessária.

A orientação, repito, veio de Curitiba.