Cidade abre os braços e acolhe diversas nacionalidades

Mayara Nascimento

A cidade recebe e acolhe pessoas de diversas regiões do estado, do Brasil e até mesmo de outros países. É o caso, por exemplo, dos refugiados venezuelanos, que, fugindo da crise econômica, começaram a chegar a Guarulhos na metade do ano passado. O município também já recebeu refugiados sírios, muçulmanos e paquistaneses.

Domingo Lopez desembarcou na cidade em meados de junho de 2018. O venezuelano era mágico em seu país natal e trabalhava na Fundación del Niño, um projeto do estado para crianças. Mesmo empregado e realizando trabalhos informais, passava fome, então decidiu sair de seu país para escapar da crise.

“Dormia na rua, sem banho, sem comida, sem nada. Ontem eu dormi em uma cama e tomei um bom banho. Fazia meses que não sabia o que era isso”, contou Lopez a época. Lopez foi acolhido pelo abrigo Minha Pátria e hoje não está mais na casa, pois o abrigo é rotativo e busca emprego e moradia para os refugiados. O projeto Igreja Acolhedora, que mantém o abrigo Minha Pátria, cadastra igrejas que se responsabilizam pela moradia, educação e emprego.

Outro ponto de acolhimento da cidade é a Mesquita de Guarulhos, da Sociedade Islâmica Brasileira. O líder religioso também é um guarulhense de coração. Nacional de Moçambique, o Sheik Aboo Abudo Atibo, 33 anos, está no Brasil há nove anos, e mora em Guarulhos há apenas oito meses.

“Guarulhos está sendo muito bom para mim, é uma nova realidade, são novos desafios. Aqui é muito acolhedor para nós, tanto dentro da comunidade islâmica quanto fora. Procuramos ter afeto e carinho com as pessoas e estamos recebendo isso de volta”, contou Atibo.

Em 2015, a mesquita da cidade recebeu cerca de 500 famílias refugiadas da Síria. Alguns ficaram abrigados na casa de amigos da comunidade e outros no próprio templo religioso. A sociedade forneceu curso de português para os recém-chegados que não falavam a língua, para que assim conseguissem emprego mais rapidamente.

Números oficiais

De acordo com a Subsecretaria da Igualdade Racial, não há estatística dos refugiados residentes na cidade, porém desde o ano passado a pasta vem reunindo informações junto às diversas secretarias para subsidiar as ações municipais direcionadas a estas pessoas.

Entretanto, 132 migrantes venezuelanos assistidos pelo Programa de Interiorização do Governo Federal foram acolhidos na cidade por intermédio das entidades CDDH e Minha Pátria, e têm recebido toda retaguarda da municipalidade.

Segundo informado pelo subsecretário de Igualdade Racial, Anderson Guimarães, a prefeitura faz parte da rede de apoio sócio assistencial e está realizando diálogos com todas as esferas de governo e instituições, visando ao fortalecimento das políticas existentes, articulando e garantindo o pleno acesso aos serviços básicos de saúde (reforço de vacinação e exames), assistência social (inclusão no CADúnico e Bolsa-Família), educação (matrícula escolar) e trabalho (currículo ao Centro Integrado de Emprego, Trabalho e Renda – Ciet e inclusão nos cursos profissionalizantes), para uma melhor inclusão desses migrantes, reafirmando o compromisso da cidade no acolhimento humanitário, não discriminatório e em consonância aos Direitos Humanos.

Imagem: Mayara Nascimento