Chocolate amargo: entenda por que o preço dos ovos de Páscoa está tão alto

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O consumidor brasileiro terá muitas opções na Páscoa de 2023. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), as fabricantes de chocolates colocarão 440 itens de Páscoa nas prateleiras pelo País, sendo 163 lançamentos – o maior número desde 2015, quando a associação começou a contabilizá-lo. Mas os preços andam salgados: houve uma variação de 13% a 18% em 2023, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 

Segundo a professora de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares PenteadoNadja Heiderich, o aumento nos preços é um movimento que vem acontecendo há alguns anos, principalmente, após a pandemia, sendo reflexo de dois principais fatores: o preço do cacau no mercado internacional vem subindo consideravelmente; e no pós-pandemia, o preço de insumos importados (por conta da depreciação do câmbio) e de embalagens plásticas e de papel também sofreu com a alta. 

“No caso dos chocolates, especificamente, o aumento de preços é reflexo da escassez do cacau no mundo. A indústria brasileira de moagem de cacau depende em grande parte da importação desta matéria-prima. Os principais exportadores de cacau estão na Costa do Marfim e Gana, e a incapacidade de manutenção da oferta por estes países têm pressionado os preços, principalmente, no mercado futuro”, afirma a especialista. 

Ainda de acordo com a professora universitária, itens com maior valor agregado, que utilizam embalagens mais sofisticadas e demandam mais mão de obra podem ser preteridos pelos consumidores. O aumento de preços tem redirecionado as preferências do consumidor para itens com menor valor agregado, como as barras de chocolate e bombons. 

“Provavelmente haja uma mudança cultural neste sentido, uma vez que os consumidores vêm buscando opções alternativas, que passa desde o aumento na compra de barras de chocolate e bombons, bem como a compra ou confecção de ovos caseiros. Talvez a percepção dos empresários vá nesta direção, baseado no tipo de nicho com o qual trabalham. Tem a questão também das empresas que se direcionaram para o e-commerce após a pandemia, e perceberam a manutenção ou aumento da penetração de mercado”, opina Nadja. 

A especialista: Nadja Heiderich é Doutora em Ciências (Economia Aplicada) na Universidade de São Paulo. Possui mestrado em Ciências (Economia Aplicada) pela Universidade de São Paulo (2012). Graduada em Ciências Econômicas pela FECAP (2008). Atualmente é professora no Centro Universitário FECAP e coordenadora do NECON FECAP (Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica). Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Aplicada, atuando principalmente nos seguintes temas: meio ambiente, modelagem matemática, logística, agronegócio.

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