Causos e Causas – O mito, mitomaníaco e a corrupção

O jornalista Laurez Cerqueira afirmou certa vez que “a denúncia falsa, a mentira, a deturpação, a adulteração, a manipulação da informação são atos de corrupção, tão perniciosos quanto afanar dinheiro do povo”. Ele está certo.

Corrupção não é apenas tomar o dinheiro público para si, vai bem mais longe que isso, pode estar presente na intenção do presidente da República em negar fatos históricos, como a existência do holocausto, contrariar dados científicos como fez com as pesquisas do INPE, ou ainda atribuir à ONGs as responsabilidade pelas queimadas que estão devastando a Amazônia brasileira, engodo que não apenas cria um clima de incertezas quanto a verdade inventada, que nunca deveria ser dito do alto do cargo que a manifestou, mas que maliciosamente vai iludindo uma população já descrente da política e seu passado recente, tornando fácil a crença no líder e suas palavras.

Mentiras que ratificadas ou repetidas irresponsavelmente, como vem acontecendo, permitem que a falácia se ajuste a conveniência do momento, cuja verdade parece não significar nada além de um mero ponto de vista político, como se pudessem se misturar (verdade e mentira) desconstruindo o passado e não raras vezes imagens.

É preciso se questionar acerca das informações recebidas, da realidade que estamos vivendo num mundo de notícias falsas, com pessoas falsas, com perfis falsos, onde tudo parece ser “fake news”, mentiras que brotam das redes sociais para se projetar pelas mídias convencionais, causando a destruição de reputações, dissimulando verdades ao sabor das intenções do articulador que não mais se preocupa com a pecha de farsante, desleal, embusteiro, atributos sinônimos deste tipo de profissional cuja compulsão em mentir não lhe permite tratar a verdade racionalmente.

Bolsonaro é mitômano, mente por medo e por compulsão; medo de perder o poder e tudo o que isso lhe significa como proteção daquilo julga necessário para proteger sua família e ideologia, o que fica claro com suas intervenções em órgãos como a Polícia e a Receita Federal, cujo objetivo não é outro senão blindar o filho Flávio; compulsão porque precisa criar verdades para reafirmar as mentiras contadas e nelas centralizar seu poder, talvez por isso não avence em qualquer discurso sem atacar os regimes de esquerda e de um suposto enfrentamento da corrupção, a mesma que mal sabe estar presente em seus discursos de ódio e intolerância.

“Quem mente, também rouba o direito do outro de saber a verdade. Quem rouba, mata o que ainda existe de honesto no ser humano. E quem mata, nem lembra mais que tudo pode ter começado com uma pequena mentira” (Ricardo Lobão).

Não sei se a verdade é uma ilusão, mas não merecemos viver o pesadelo destas mentiras, que contadas para desinformar revelam o abuso de poder e a corrupção da própria fala, enganosa de quem precisa se esconder da verdade.