Causos e Causas: Confusão mental

Está cada vez mais difícil entender o que passa pela cabeça de Jair Bolsonaro, pois são tantas asneiras ditas no seu cotidiano que sobra material para o jornalismo sério e comprometido com a democracia, a quem seus seguidores chamam de golpistas pelo simples fato de exercerem o direito de crítica e expressão, aliás, sagrado direito conferido pela Constituição justamente para propiciar o direito à informação, o qual é necessário ao livre debate acerca dos interesses da sociedade, muito especialmente acerca de política e cidadania, justamente de onde se destaca Bolsonaro com suas manifestações não muito republicanas.

Não bastasse uma semana turbulenta onde o presidente defendeu a indicação de seu filho à embaixada nos Estados Unidos, o que é contestável não pelo fato da falta de qualificação para tão relevante cargo público, mas simplesmente por tratar-se de um Bolsonaro, cuja linhagem direta de parentesco revela a absurda imoralidade da indicação, inobstante tratar-se ou não de nepotismo; certo é que passou dos limites ao se referir aos governadores da região Nordeste como “governadores de paraíba”, cuja fala soa discriminatória e ofensiva a todo povo nordestino.

O fato ocorreu na última sexta-feira (19), quando Bolsonaro falava ao Ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tendo afirmado “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão”, cuja termo “paraíba” como empregado em sua fala aponta uma forma pejorativa, completamente preconceituosa quanto aos nordestinos.

Mas como era de esperar, dias depois, o presidente passou a se justificar do erro, colocando no imbróglio até mesmo sua filha, a quem disse possuir sangue de “cabra da peste”, expressão popular do nordeste que indica o homem trabalhador, honrado ainda que sofrido pelas dificuldades da região, o que aconteceu durante a inauguração do novo aeroporto de Vitória da Conquista em evento fechado à população, onde estavam presentes apenas convidados do Governo Federal, com isso evitando um clima de desconforto e confronto no evento, aliás, evento que deveria ser público. 

Como já tive a oportunidade de afirmar, Bolsonaro parece não ter ideia do cargo que ocupa e da dimensão de suas falas, por isso deveria se (e ser) monitorado para evitar as besteiras que diz e que depois tem que desdizer e justificar, pois, como no exemplo acima, é certo que não atingiu apenas o governador do Maranhão, mas todo o povo nordestino, pois se sua intenção era de retaliar a pessoa do governador, ainda assim, deveria pensar que o fazendo estaria prejudicando toda a sua população, estimulando a desigualdade social ao não permitir a chegada dos recursos que estão às mãos de um presidente que não enxerga a todos dentro do pacto federativo.

Mas como miséria pouca é bobagem, nesta mesma semana o presidente afirmou que “a fome no Brasil é uma grande mentira”, o que dispensa comentários diante da realidade brasileira, ainda questionando a metodologia utilizada pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais) no monitoramento da Amazônia sem qualquer base cientifica, quando é certo que o INPE é referência mundial no trabalho científico e tecnológico e pesquisas aeroespaciais, informações que passam despercebidas do nosso presidente, que não raras vezes nos brinda com sua verborragia em aparente confusão mental, algo delirante para seus apoiadores.