Causos e Causas com Alexandre Cadeu: Que sirva de exemplo

A cassação da senadora Juíza Selma Arruda traz uma severa advertência para quem acredita que tudo pode antes do período eleitoral, inclusive gastar imoderadamente na promoção da imagem pessoal para marcar território político.

A audiência do Tribunal Superior Eleitoral ocorreu no dia 10 da semana passada e, em votação plenária com placar de 6 votos a 1, a ex-Juíza foi considerada culpada de praticar caixa dois e abuso de poder econômico na campanha para o Senado de 2018.

Trazendo este precedente judicial para Guarulhos, observamos que corre risco a pré-candidata Fran Correa, que tem jogado nas redes sociais matérias patrocinadas em que aparece fazendo o que chama de “trabalho social”, promovendo dentre outras atividades o cinema na praça e visitas à periferia com distribuição de refrigerantes, pipocas e brindes diversos, como se a salvação da pobreza e de Guarulhos passasse por suas mãos, aliás, fazendo questão de lembrar ser a preferida do governador João Doria, tanto que não se poupa à presença nos mais diversos eventos públicos onde o beija-mão é visto e divulgado abertamente para intimidar seus opositores, a exemplo de uma foto que circula pela internet onde o governador lhe beija a mão enquanto Guti, prefeito municipal, observa ao fundo a grotesca cena de disputa de poder.

Triste política do pão e circo que remonta do Império Romano e lamentavelmente se faz presente nos dias atuais, onde se deixa de debater questões relevantes de política e cidadania para substituí-las por dissimuladas ações sociais, cuja ilusão do momento para quem pouco ou nada tem é suficiente para marcar o protagonista do evento.

Talvez por isso Jean-Paul Sartre anotava que “A fingida caridade do rico não passa, da sua parte de mais um luxo; ele alimenta os pobres como cães e cavalos”, enquanto a escritora Valeria Nunes de Almeida e Almeida com peculiar sabedoria observa que “A verdadeira caridade não tem nome, endereço, e nem rosto”.

Vale a pena refletir se esta caridade propagada nas redes sociais – com nome e sobrenome e fotos – nada mais representa do que verdadeira propaganda eleitoral antecipada com evidente abuso de poder econômico e, se assim for, não estará a campanha em questão fadada à cassação?

Aliás, neste final de semana circulou a notícia do pedido de afastamento do Deputado Federal Eli Correa Filho por 180 dias, cuja licença do mandato beneficia o tucano Miguel Haddad (PSDB), destacando a Folha de São Paulo que o pedido partiu do governador João Doria em troca de apoio à candidatura de sua mulher nas próximas eleições, o que torna evidente o projeto de poder político, onde nem mesmo os votos recebidos pelo deputado foram suficientes para impor respeito ao cumprimento do mandato.

O fato da cassação da senadora Selma traz além da advertência deixa um claro exemplo que a Justiça não anda de olhos vendados em tempos de Internet, onde as marcas das postagens seguem para além do momento atual, tornando vivas em qualquer tempo as provas da atuação do pré-candidato e a sua real intenção no período que antecede as eleições, especialmente quanto a autopromoção da imagem.