Causos e Causas com Alexandre Cadeu

E vamos de mal a pior

Não se pode admitir que qualquer agente de cultura, especialmente um secretário de cultura, não conheça minimamente a história da civilização e, além disso, valha-se de frases de terceiros em seus discursos sem que dê créditos ao autor. Ora, faltou a Roberto Alvim, não apenas maturidade para o cargo, mas especialmente um pouco de conhecimento na área de atuação, pois, bastaria a simplicidade de conferir o discurso que alega que lhe foi repassado por assessores para perceber o tamanho do erro que estava prestes a praticar, exceto se não soubesse quem fora Joseph Goebbels.

Por outro lado, ainda que o Presidente Bolsonaro tenha demitido seu secretário logo após a notável canelada política que permitiu com seu discurso reavivando o nazismo, o que cheirou mal pelo mundo a fora, certo é que o presidente brasileiro tem critérios duvidosos de escolha de seus aliados, prova disso é o ritmo com que as trocas de ministros e assessores estão acontecendo em seu governo, onde a meritocracia cede lugar ao compadrio ou mera afinidade política (de ocasião), bem pior do que acontecia em governos anteriores, onde ao menos a qualidade e a vocação do agente era ponto de equilíbrio para a nomeação. Pois que venha Regina Duarte…

E vamos de mal a pior mesmo

E o que dizer do Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que não aparenta melhor conhecimento do vernáculo, a ponto de escrever palavras com grosseiros erros de gramática? Aliás, atropelo que o Ministro não deveria fazer com a língua pátria, até porque os exemplos negativos não se resumem apenas nas palavras impreCionante, paraliZação e suspenÇão por ele escritas (o certo é impressionante, paralisação e suspensão), cujo desacerto ainda pode ser percebido em suas citações, como fez com o escritor Franz Kafka, trocando-lhe o sobrenome pela comida árabe Kafta.

Talvez por isso, por falta de mínimo apego com a pasta, educação, tenha permitido que os erros na correção da última edição do Enem acontecessem de forma tão relevante, atingindo a marca de 6.000 candidatos (se não for bem mais), algo impensado num governo que se dizia preparado para os inconvenientes deste tipo de concurso de provas, onde o ministro afirmou que seria o melhor de todos os tempos, mas que agora motiva justificativas que vão se alterando conforme o agravamento do problema, com número de candidatos prejudicados e as hipótese de erros apenas se aumentando, passando da simples troca de gabaritos à possibilidade de fraudes na fase preparatória do próprio concurso, situações que se modificam no passar dos dias e que complicam o despreparado ministro até mesmo dentro do governo.

E ainda pode piorar

Mas como miséria pouca é bobagem, é de esperar que Jair Bolsonaro se depare nos próximos dias com mais problemas, pois terá que justificar um possível conflito de interesses do Chefe da Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, em relação à empresa FW Comunicação e Marketing, da qual é sócio e a qual é cliente da Artplan, agência de publicidade do governo, nos parecendo pouco provável que o presidente mantenha no cargo alguém que pode lhe expor as feridas poder, devendo suportar mais um duro golpe diante do fato de não escolher melhor seus assessores (secretários e ministros), bastando-lhe a simpatia pela ideologia de sua questionável política (de extrema direita), que só tende a piorar.