Câmara aprova projeto de PPP da Educação em Sessões Extraordinárias

O presidente da Câmara de Guarulhos, vereador Martello (PDT), conduziu sessões extraordinárias em ambiente virtual na tarde desta quinta-feira (18) para discussão e votação do PL 2718/2020, que autoriza o Poder Executivo a celebrar Parceria Público-Privada nas unidades de ensino da rede municipal de educação básica de Guarulhos. De acordo com o projeto, a PPP será celebrada na modalidade concessão administrativa para a realização de obras e serviços de engenharia e prestação de serviços não pedagógicos. Ao final dos trabalhos, o projeto foi aprovado por 26 votos favoráveis e sete contrários,  placar repetido na primeira e segunda votações. O projeto agora vai à sanção do prefeito Guti (PSD).
A proposta prevê que a concessão poderá ser dividida em até quatro lotes distintos, sendo elas a reforma de até 150 unidades escolares; construção de até 25 novas unidades escolares; construção de até 5 novos Centros de Educação Unificados (CEUs); prestação de serviços de gestão, instalação, operação, conservação, manutenção preventiva e corretiva, das unidades escolares existentes ou que venham a ser construídas, incluindo a provisão de insumos.
O último lote inclui serviços administrativos, operação de impressão corporativa, help desk ou gestão de chamado, segurança eletrônica, utilidades e energia, infraestrutura de rede de dados local, higiene e limpeza, lavanderia e rouparia nas unidades de ensino infantil, manutenção e conservação, regularização fundiária e edílica e possibilidade de aquisição de imóveis para implantação de novas unidades escolares, desde que solicitado pelo Poder Público.

Longa discussão
Durante quase oito horas, os vereadores  se revezaram em defesas e críticas ao projeto. Várias emendas foram apresentadas, mas não foram aprovadas. Com maioria folgada na Casa, O Executivo levou vantagem númerica em todas as votações. Vereadores como Jorginho Mota (PTC), Geraldo Celestino (PSC), Lauri Rocha (PSD), Romildo Santos (PSD), Lamé (MDB), Danilo Gomes (DC) e Leandro Dourado (PTC), por exemplo, defenderam a proposta argumentando que ela permitiria à prefeitura concentrar seus investimentos em Educação exclusivamente no conteúdo pedagógico e na construção de mais escolas e creches. Além disso, garantiram que fiscalizariam a atuação da empresa vencedora da futura concorrência.
Os vereadores da oposição, por sua vez, casos de Edmilson Souza (PSol), Janete Rocha Pietá (PT), Prof. Rômulo Ornelas (PT), Lucas Sanches (PP), Marcelo Seminaldo (PT), Márcia Taschetti (PP) e Dr. Laércio Sandes (DEM), insistiram que o projeto não foi discutido com a comunidade educacional, vai representar a privatização dentro das escolas, sacramentar o fechamento da Proguaru e consequente desemprego de muitos servidores, além de não garantir que a empresa executará seu compromisso a contento.
Ao final da votação, Geraldo Celestino justificou a pertinência do projeto: “A parceria publico-privada é uma das melhores iniciativas do mundo e foi regulamentada no Brasil na época em que o PT era do Governo Federal”. Edmilson Souza, por sua vez, lembrou que, “em vez de se preocupar com a segurança das crianças na volta às aulas, a Prefeitura apresenta um projeto desta natureza, um retrocesso do ponto de vista pedagógico”.