Calma! O momento exige análise antes de um resgate desesperado de seu investimento

Daniella Rolim

Desde o final do mês de fevereiro, os investidores começaram a se deparar com uma situação desconfortável em suas carteiras de aplicações. Esse desconforto atingiu investidores de todas as classes, dos conservadores aos arrojados, dos iniciantes aos profissionais. Antes mesmo de atingir a saúde da população, a Covid-19 já fazia o estrago dela no mercado financeiro e refletia medo e incerteza.

Em um cenário temerário como este, a pergunta que mais recebo de investidores e seguidores é: “Como faço para parar de perder esse dinheiro? ”. A resposta é: tenha calma! Antes de tomar qualquer decisão precoce e realizar prejuízo, temendo o desenrolar da crise, vale seguir uma análise estratégica na sua carteira de investimentos.

Vamos a um exemplo bem generalista e, por isso, mais didático: Desconsiderando custos como os de manutenção, por exemplo, imagine que você tenha adquirido em 1990 um Fusca (ano 1985) por um valor equivalente a R$ 5.000. Cinco anos depois, você decide vender o carro, porém só encontra comprador com interesse de pagar R$ 2.500. Não satisfeito com o valor oferecido, você considera que não precisa daquele dinheiro no momento e decide não vender. O tempo passa, o carro vira uma relíquia e, em 2020, você se surpreende ao descobrir que esse carro passou a ter comprador interessado a pagar R$ 30.000 por ele.

Ou seja, você não perdeu dinheiro em 1995, mesmo sabendo que tinha um produto de qualidade a ser vendido. Ao agir com calma e colocar na balança a real necessidade de um resgate do valor no momento, aguardar pode fazer com que você tenha uma recuperação no valor investido. Apesar do exemplo simplista, esta é a dinâmica do mercado financeiro.

Portanto, para o investidor que está vendo esse cenário do Fusca 1985 acontecer com suas aplicações, aqui vão algumas dicas: aguarde; analise quais são os ativos/empresas que estão na sua carteira de investimentos; e converse com seu assessor sobre quais são os grandes riscos que cercam essas empresas na crise que estamos vivendo.

Se essas empresas que compõem a sua carteira têm maior segurança, não é o momento de vender o Fusca, ou melhor, resgatar suas aplicações. A realização de prejuízos agora pode ser irreversível. E falar em vender agora para recomprar quando a situação melhorar é como querer acertar o buraco de uma agulha com os olhos vendados.

Daniella Rolim, CFP®, é graduada em Administração de Empresas, pós-graduada em Banking e tem MBA em Gestão de Negócios e Finanças. Educadora financeira formada pela DSOP, é planejadora financeira com certificação internacional CFP e diretora comercial da Flap Capital