Cair não é tão fácil – com Luiz Gerardi

Luiz Fernando Mendroni Gerardi

Na quarta-feira, no Maracanã, o Ceará perdeu de 4×1 do Flamengo, atual Campeão Brasileiro com quatro rodadas de antecedência e demitiu Adilson Batista. Na quinta-feira, o Cruzeiro perdeu de 1×0 em casa para o CSA, de Argel Fucks, e Abel Braga pediu demissão após dois meses no comando da Raposa. Na sexta-feira o Ceará anunciou Argel Fucks como treinador e o Cruzeiro trouxe Adilson Batista.

É difícil explicar, e até entender, mas vamos lá. O Ceará trouxe o treinador que está na zona de rebaixamento para evitar cair e o Cruzeiro acredita que um técnico que não serve para o Ceará vai salvá-lo do rebaixamento.

Daniel Alves deu o recado após a magra vitória de 1×0 sobre o Vasco. O experiente jogador disse o óbvio, que é inadmissível um clube como o São Paulo ter quatro treinadores em um ano, média de 3 meses por treinador. O problema é que São Paulo não é a exceção no Brasil, é a regra.

Não é muito fácil ser rebaixado no Brasileirão, são quatro clubes que caem, CSA, Cruzeiro, Ceará e Fluminense lutam para fugir das últimas duas vagas e alguns serão “premiados” pela maior incompetência dos outros, sem nenhum mérito por continuarem na primeira divisão.

Entre tantas equipes ruins, treinadores incompetentes, jogadores chinelinho e até a arbitragem que cisma roubar sempre o nosso clube.

Por que, como vimos, os jogadores e treinadores são os mesmos. Um grande técnico em um ano pode ser rebaixado no ano seguindo. Ele não desaprendeu ou ficou desatualizado em tão pouco tempo e um bom elenco não esquece como jogar bola de um ano para o outro.

Nessa caça às bruxas do futebol, deixamos uma parte pequena para os verdadeiros culpados. Os presidentes e diretores dos clubes, que quase sempre conseguem se blindar dessa maluquice, seja contratando um grande jogador ou demitindo o professor Pardal.

Talvez fosse o caso de trocar o diretor de futebol a cada três meses, ou então importar presidentes de clubes da Argentina, Portugal, Espanha e outros países. Acho que não resolveria o problema, não é?

Se queremos um futebol moderno e mais parecido com o que acontece na Europa, precisamos começar a exigir mais profissionalismo do topo dessa pirâmide e criar um campeonato da gestão de clubes, onde a cada ano os quatro piores são rebaixados.