A Vida como ela é: simples e muito bonita – José Augusto Pinheiro

José Augusto Pinheiro, 56 anos, é coach e orador da Academia Guarulhense de Letras; jaugusto.pinheiro.com.br

Os dias têm sido muito diferentes de outrora. A vida parecia mais lenta quando eu era menino; ficou um pouco mais agitada quando ingressei no mercado de trabalho e precisei conciliar o ‘ganha-pão’ com os estudos. E lá se vão 42 anos. Aluno aplicado, eu me lembro do dia em que saí correndo (literalmente) do antigo curso ginasial, na Escola Homero Rubens de Sá, onde estudava pela manhã. Cheguei ao Lar a tempo de tomar banho ligeiro, comer alguns cereais e frutas e seguir para o emprego de meio expediente.

Por vezes, a minha atuação profissional incluía carregar caixas de documentos de um andar para o outro do prédio. Aliás, na edificação não havia elevador. Naquela oportunidade, em especial, voltei para casa supercansado e não fiz a lição de matemática. No dia seguinte, a professora perguntou quem não havia feito a tarefa. De forma ética – e surpreendente para os colegas – eu levantei o braço e disse a verdade: “Eu não fiz os exercícios, ‘fessora’”. Ponto negativo para José Augusto. Jamais me arrependi de ter feito o que é certo.

Hoje o cotidiano é totalmente diferente. A telefonia móvel, de tempos a esta parte, tornou-se realidade presente na existência de quase 100% das pessoas. Eu só conheço um ser humano que, por opção, não tem celular. Esse aparelho fez com que a vida parecesse mais corrida do que já é. Os momentos de introspecção tornaram-se raros. A sociedade supõe que você esteja sempre pronto para atender – quer seja nas redes sociais ou em conexões telefônicas, nas quais aquele que ligou já não diz mais o seu nome no início da conversa. Espera-se que o nome esteja na tela, quando a campainha toca. E como toca. Sei que remar contra a maré é muito difícil, mas eu quero propor um exercício que não envolve cálculos: tente ficar sem o celular por algum tempo. Até quando? Até o desconforto tomar conta de você. Pouco a pouco, a duração do exercício poderá ser ampliada…

… Com o tempo livre (sim, isso ainda existe), eu proponho um segundo exercício: levante a cabeça e observe se alguém a sua volta está triste e abatido. No passado, as pessoas conversavam. Uma prática comum há algumas décadas era os amigos se abraçarem, dizerem palavras de afeto e perguntarem ‘como vai você’. A resposta era a senha para saber se ‘estava tudo bem’ ou não. O diálogo é um santo remédio para evitar a depressão – mal tão comum nos tempos modernos, nos quais a comunicação (ação de tornar conhecida uma mensagem) está em vertiginosa extinção. Em tempo – Divulgue o número do CVV: 188. Ajude a salvar vidas!!!

Olho: O celular faz com que a vida pareça mais corrida do que já é.