A rica ‘eloquência’ que emana do silêncio consciente

Em Sua Ilimitada Sabedoria, o Criador nos concedeu dois ouvidos e apenas uma boca. Matematicamente, portanto, deveríamos ouvir duas vezes mais do que falamos. Porém, nem sempre utilizamos essa proporção no nosso cotidiano. Jamais ocorreu de alguém ser criticado por uma mensagem não externada. Nós temos o sagrado direito de ficarmos calados.

Faça um teste quando ficar desapontado com alguma situação. Antes de se manifestar, escreva o que pensa e, depois, guarde o papel em lugar bem seguro. Deixe passar alguns dias e leia o que registrou. Eu posso lhe assegurar que o conteúdo, além de ter perdido o sentido, ainda trazia significativo número de “verdades” presumidas e opiniões fundamentadas em seu estado de espírito de outrora.

Repare como as pessoas mais discretas têm a sua opinião solicitada pelo interlocutor. Todos querem saber o que pensa o ‘silente’. Ele pode escutar ativamente, refletir sobre a situação e, caso esteja preparado – já com todas as informações do fato -, emitirá a sua opinião.

Vivemos época inusitada, no qual a informação e o bom senso têm grande significado. Em condições normais, ninguém gosta de ficar alheio ao momento presente. Para isso existem os meios de comunicação em massa que formam, informando. Individualmente, não precisamos correr para contar aos outros o que julgamos ser importante.

Quantas vezes você ouviu uma frase começar por “Disseram…” Os gramáticos afirmariam que o sujeito da frase é indeterminado. Nós devemos assumir aquilo que dizemos como se fosse um documento assinado. Se eu me comprometo a fazer algo, devo cumprir; caso não possa, devo comunicar a quem de direito. Assim, problemas maiores serão evitados; e a nossa credibilidade, mantida.

Quem aprende mais, aquele que fala ou o que ouve? Quando relata fato que ocorreu em sua vida, você desenvolve somente a faculdade da memória. No máximo, será considerado bom contador de histórias. A pessoa que o ouve, por outro lado, estará aprendendo importante lição de uma experiência que ela ainda não teve. Sem ônus algum.

Por meio da leitura atenta e concentrada nós podemos conhecer o mundo e descobrirmos quais são as melhores atitudes a ser tomadas, dependendo da situação enfrentada. Se você gosta de ler, congratulações! Caso não aprecie essa forma silenciosa de passar o tempo, não esmoreça; nunca é tarde para adquirir esse hábito tão salutar para mente, corpo e espírito.

Pitágoras de Samos (570-495 a.C), filósofo e matemático grego, já alertava: “Se o que tens a dizer não é mais belo que o silêncio, então cala-te”. De acordo, mestre.

José Augusto Pinheiro, 57, é jornalista guarulhense, palestrante, mestre de cerimônias, coach e orador da Academia Guarulhense de Letras; é o autor do livro “Dia após Dia, Disciplina e Gratidão”.