O fim do “Camisa 10” – Luiz Gerardi

O fim do “Camisa 10” – Luiz Gerardi

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Cássio; Fagner, Geromel, Rodrigo Caio e Filipe Luís; Ralf, Bruno Henrique e Daniel Alves; Everton Cebolinha, Gabigol e Dudu. Essa não é a Seleção Brasileira dos sonhos, que traria para o país o sexto caneco na Copa do Mundo do Catar. Mas com os jogadores brasileiros que atuam por aqui, teríamos um belo time.

Sobram talentos em quase todas as posições. No gol poderíamos escalar ainda Weverton, Fábio ou Santos, que tem feito grandes jogos com a camisa do Athletico. Na verdade, os 20 times da Série A estão bem servidos na meta e ainda tem espaço para quem goste mais do goleiro Ivan, da Ponte Preta, que vem fazendo uma excelente campanha, mas na Série B.

Preferências a parte, existe uma posição que continua fazendo o treinador queimar os neurônios e perder horas de sono para resolver: quem será o meia-armador?

Sinônimo do talento brasileiro, a camisa 10 está sendo “ocupada” por estrangeiros nos principais clubes da série A. Arrascaeta, D’Alessandro, Sornoza, Cazares e Mariano Vázquez, são meias de ofício. No Santos, Soteldo, Sanchez e Derlis Gonzalez passam pelo setor, mas nenhum é do ramo.

Os poucos meias “clássicos” que temos, há algum tempo não entregam o prometido com a qualidade necessária. Jadson, Diego, Lucas Lima, Ganso e Thiago Neves são exemplos.

A verdade é que a posição de meia centralizado foi sacrificada para que os clubes utilizem dois pontas abertos. Sobra muito espaço para apenas um jogador cobrir. Assim, é preferível ter um volante mais fixo, e outro dois com boa chegada ao ataque, um atuando em cada metade do campo.

Alguns clubes já se adaptaram a essa realidade. No São Paulo sobra para Daniel Alves a função, caindo mais pelo lado direito, Liziero tem jogado pela esquerda, posição em que Hernanes já atuou. Assim, Cuca prefere apostar na qualidade para suprir uma posição carente do elenco.

No Palmeiras, Felipão segue a mesma linha, com Felipe Melo de cão de guarda e Bruno Henrique mais, Scarpa, Raphael Veiga, Hyoran ou Zé Rafael, compondo o meio.

Essa carência aparece também na Seleção de Tite. Nosso 10 joga aberto pela esquerda e cobramos de Coutinho uma resposta maior do que é possível entregar. Não o vemos como um volante, quando ele fecha a marcação pelo lado direito, mas elogiamos Arthur ou qualquer outro volante quando ele chega com qualidade no ataque.

Antes de cobrar o camisa 10 do seu time, tente olhar para ele como um volante que chega ao ataque, e não como um meia que joga recuado.

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