Coluna Livre com Hermano Henning

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Acompanhei ontem na TV uma reportagem que me chamou atenção. Foram pouco mais de dois minutos mostrando que no Brasil há uma nova classe de gente desempregada. São os chamados “desalentados”.

Não é difícil explicar. Poderiam ser chamados também de “desesperançados”.

A crise nos deixou 13 milhões e 700 mil desempregados, segundo números do IBGE. Desses, cinco milhões são os “desalentados”.

Temos cinco milhões de brasileiros que, depois de alguns anos procurando emprego, não conseguem vislumbrar nenhuma chance, pequena que seja, de encontrar algo pra fazer proporcionando alguma renda. Repito: pequena que seja. Algum trabalho para se sustentar. A si e sua família.

Algumas sociedades já passaram por momentos difíceis provocados por crises econômicas e situações muito especiais. O pós-guerra na Alemanha foi particularmente cruel. Na Inglaterra, apesar da vitória aliada, o sofrimento não foi menor. Situações beirando o desespero.

Confesso que, apesar disso, nunca tinha ouvido o termo “desalentado”. Imagino que, pior que não ter acesso ao trabalho, a um emprego, é perder as esperanças de um dia chegar lá. Ser desistente, ou “desalentado” é, no fim das contas, ter jogado a toalha.

E somos cinco milhões de cidadãos que jogaram a toalha.

“Proteção de Deus”

Guarulhos vive momentos tensos. Os funcionários públicos estão em greve. São vinte mil cidadãos empregados na Prefeitura, Câmara e órgãos da municipalidade. Até agora não há adesão total, e o secretário municipal de Gestão, Adam Kubo, que negocia com os grevistas, garante que tudo está funcionando: escolas, postos médicos, serviços de atendimento, etc.  

Kubo deu uma longa entrevista ontem no programa Espalha Fatos, da TV Guarulhos, onde procurou minimizar os efeitos do movimento. Disse que ele e o prefeito Guti estão dispostos a continuar o diálogo com os trabalhadores pra chegar a um entendimento.

Muito bem. Só a nossa egrégia e augusta Câmara Municipal não se interessou em entrar no debate. Pra variar, não houve sessão. O presidente Professor Jesus usou o microfone da mesa apenas para dizer que “sob a proteção de Deus” abria a sessão para, em seguida, não mais sob a proteção de Deus, emendar que “visualmente” não havia quórum. E, por isso, encerrava os trabalhos.

A oposição não deixou barato. Para o vereador Edmilson Souza, do PT, a suspensão dos trabalhos se deu exatamente por causa da greve. “Estávamos preparados para trazer o movimento para a tribuna”, disse. O professor Jesus não deixou.

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